Preçário 2026 · Portugal

Membrana betuminosa soldada a maçarico em superfície vertical, uma camada

A aplicação de membrana betuminosa a maçarico numa superfície vertical consiste em aquecer uma tela asfáltica modificada com um maçarico de propano e colá-la à parede em toda a sua área. Na prática, este trabalho faz-se sobretudo nas paredes exteriores de caves e fundações, no soco abaixo do terreno

Atualizado 09/2026·14 min read·2 price list items
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ArtigoUnidadePreço / un.QuantidadeTotal
Impermeabilização
Tela asfáltica de maçarico, superfície vertical (1x camada)m²18,75 €-
Tela asfáltica de maçarico, superfície horizontal (1x camada)m²11,50 €-
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Onde se aplica a impermeabilização vertical e o que protege

A impermeabilização vertical betuminosa tem uma função principal: impedir que a água ou a humidade do terreno entre na alvenaria. Numa cobertura, impede que a água que escorre pela laje se infiltre por trás da impermeabilização junto à parede ou à platibanda. Os locais típicos são estes:

  • paredes exteriores de caves e garagens enterradas antes do aterro,
  • sapatas e soco da casa, onde a impermeabilização liga ao corte horizontal sob a parede,
  • face interior da platibanda de uma cobertura plana ou de um terraço, onde a membrana da cobertura sobe,
  • encontro de um terraço ou varanda com a parede da habitação,
  • muros de suporte, poços, caixas e fossas pelo lado exterior.

Porquê a maçarico? A membrana soldada adere ao suporte em toda a área, não ficam vazios por onde a água possa circular, e o betume das sobreposições funde-se num só corpo. Quando o trabalho é bem feito, as várias faixas passam a formar uma camada contínua, sem pontos fracos nas juntas.

Quando basta uma camada

Uma camada de membrana soldada usa-se, em regra, contra a humidade do terreno e contra a água que não exerce pressão, ou seja, a que escorre para baixo e é encaminhada por uma drenagem ou por um aterro permeável. Também é habitual no remate da impermeabilização da cobertura na platibanda, quando isso corresponde à solução prevista para a cobertura. Se a casa assenta em terreno argiloso, onde a água fica retida à volta das fundações depois da chuva, ou se o nível freático chega perto do pavimento da cave, já se trata de água sob pressão. Nesse caso, o projetista prevê normalmente duas camadas, outro sistema ou betão estanque, em função das condições do terreno. Não é uma decisão para tomar em obra pelo aplicador. Se não houver certeza sobre o tipo de água que atua junto à casa, convém esclarecer antes de começar a soldar.

Como decorre o trabalho em obra, passo a passo

O procedimento varia consoante se trate de uma parede de cave numa escavação ou de uma platibanda na cobertura, mas o princípio é o mesmo.

  1. Verificar o suporte: deve estar firme, seco, regular, sem saliências cortantes, restos de argamassa ou pó. As arestas arredondam-se ou chanfram-se.
  2. Executar a meia-cana, isto é, uma transição inclinada ou curva no canto entre a superfície horizontal e a vertical, em argamassa ou com uma cunha pré-fabricada. Assim a membrana não dobra num ângulo vivo de 90 graus.
  3. Aplicar primário betuminoso no suporte e deixá-lo secar conforme o fabricante, normalmente algumas horas.
  4. Cortar as faixas com o comprimento correspondente à altura da parede, com acréscimo para a sobreposição na superfície horizontal e para o remate superior.
  5. Enrolar a faixa, encostá-la à base da parede, aquecer a face inferior da membrana e o suporte e ir desenrolando para cima. Pressionar com rolo ou espátula para que adira em toda a área.
  6. Em paredes mais altas, fixar mecanicamente a faixa no topo, de forma provisória ou definitiva, para que não deslize enquanto está quente.
  7. Soldar as sobreposições laterais de modo que saia no bordo um cordão fino e contínuo de betume, em regra com cerca de meio centímetro.
  8. Tratar os cantos interiores e exteriores, as passagens de tubos e de ancoragens com reforços da mesma membrana.
  9. Rematar o bordo superior com um perfil de remate ou de fixação, aparafusá-lo e vedar a junta por cima do perfil com mastique elástico compatível com betume.
  10. Verificar as juntas e fotografar toda a superfície antes de ser coberta pela camada de proteção.

Ligação à impermeabilização horizontal

O ponto mais sensível da impermeabilização vertical é a base, onde se encontra com a impermeabilização sob a fundação ou na laje da cobertura. A membrana horizontal sobe normalmente alguns centímetros pela parede e a vertical sobrepõe-se a ela, ou o contrário, consoante a ordem dos trabalhos. O essencial é que a sobreposição tenha largura suficiente, aproximadamente 10 a 15 cm, e que fique soldada sem interrupções. Em caves acontece muitas vezes que a membrana horizontal sai apenas uns centímetros por baixo da laje de fundo e está suja de lama. Essa aba deve ser limpa, seca e primarizada, caso contrário a membrana vertical cola apenas à sujidade.

Preparação: o que deve estar pronto antes de chegar a equipa

Grande parte dos problemas da impermeabilização vertical nasce antes de se acender o maçarico. Antes da chegada dos aplicadores convém ter o seguinte:

  • parede concluída, com o betão ou o reboco curados e secos conforme o fabricante, porque o betão fresco tem muita água e a membrana não adere,
  • em caves, escavação com largura suficiente para estar junto à parede em segurança e trabalhar com o maçarico, e taludes ou entivação protegidos contra desmoronamento,
  • em platibandas, andaime ou acesso seguro com proteção contra quedas,
  • materiais combustíveis afastados, sobretudo poliestireno, madeira, películas plásticas e embalagens,
  • passagens de tubagens, esgotos e tubos de cabos colocadas previamente, porque furar a impermeabilização já feita cria sempre um ponto fraco,
  • definido o modo como a impermeabilização vai ser protegida no fim e quem o faz.

O tempo conta muito. Com chuva, nevoeiro ou suporte com orvalho não se deve soldar: a água sob a membrana transforma-se em vapor e forma bolhas. Em Portugal, as manhãs de inverno com humidade elevada são frequentes, e muitas vezes só se começa quando o suporte seca. Com temperaturas baixas o betume fica mais rígido e a membrana fissura ao dobrar, por isso os fabricantes indicam uma temperatura mínima de aplicação. As membranas modificadas com SBS aplicam-se, em regra, com tempo mais frio do que as oxidadas, mas também nelas vale o valor da ficha técnica.

Materiais e variantes: que membrana escolher para a parede

Nas superfícies verticais usam-se hoje quase só membranas betuminosas modificadas para soldar a maçarico, com espessura normalmente próxima dos 4 mm. As diferenças estão no tipo de betume, na armadura e no acabamento da face exposta.

Tipo de betume

  • betume modificado com SBS (elastomérico): flexível, suporta bem movimentos do suporte e temperaturas baixas, é o mais escolhido para paredes e pormenores,
  • betume modificado com APP (plastomérico): resiste melhor ao calor e ao sol, mas é mais rígido e adapta-se pior a cantos e paredes irregulares,
  • betume oxidado: o grupo menos flexível, hoje usado apenas excecionalmente em aplicações verticais a maçarico.

Armadura

A armadura define a resistência e a capacidade de alongamento da membrana. O feltro de poliéster é flexível e resiste ao rasgamento, por isso prefere-se em caves e onde a construção possa ter movimentos. O véu ou tecido de fibra de vidro é mais estável dimensionalmente, mas pode fissurar com movimentos do suporte. Uma membrana com armadura de fibra de vidro faz sentido onde o suporte é estável e não há risco de assentamentos.

Acabamento da face

Uma membrana com acabamento de areia fina ou película fina serve para ficar sob o terreno ou sob isolamento térmico. Numa platibanda exposta ao sol usa-se membrana com acabamento mineral, de grânulos de ardósia, que protege o betume da radiação UV, ou cobre-se a impermeabilização com um rufo metálico. Com o sol forte do verão português, uma membrana sem proteção envelhece depressa e acaba por fissurar.

Quando é melhor não usar maçarico

Onde houver por perto isolamento de poliestireno, estruturas de madeira ou caixilharias em PVC, a chama aberta é um risco. O poliestireno derrete com o calor e há perigo de incêndio. Nesses pontos usam-se membranas betuminosas autoadesivas, revestimentos betuminosos aplicados a frio, ou reorganiza-se a sequência para soldar antes de colocar o isolamento. No soco de uma casa com ETICS (capoto) esta questão surge com frequência e deve ficar resolvida antes do início dos trabalhos.

Superfície vertical e horizontal: em que difere este trabalho

Na tabela existe um artigo separado para a aplicação de uma camada de membrana betuminosa em superfície horizontal. O material é muitas vezes o mesmo, mas o trabalho na parede é diferente e mais lento. As diferenças, em resumo:

  • na horizontal desenrola-se o rolo inteiro de uma vez e pressiona-se com o pé ou com rolo, na parede trabalha-se com troços cortados, cada um aquecido e pressionado à parte,
  • na parede atua a gravidade, a membrana quente tende a deslizar e a descolar no bordo superior, por isso precisa de fixação mecânica e perfil de remate,
  • na parede há mais juntas, cantos e atravessamentos por metro quadrado, e cada pormenor exige tempo e experiência,
  • o aplicador trabalha em posição incómoda, numa vala ou num andaime, e vê com mais dificuldade se o betume saiu bem na junta,
  • na horizontal a água fica parada e a membrana sofre mais nas juntas, na parede a água escorre, por isso o que decide é a ordem correta das sobreposições e um bom remate superior,
  • a impermeabilização vertical deve ser protegida logo após a conclusão contra danos no aterro, enquanto a horizontal fica normalmente coberta por betão, betonilha ou outra camada.

Na prática, quando se impermeabiliza uma cave, o orçamento inclui os dois artigos: a superfície horizontal sob ou sobre a laje de fundo e a superfície vertical ao longo das paredes. Numa cobertura plana a área horizontal é grande e a vertical é só a faixa junto às platibandas e paredes, mas é exatamente aí que muitas vezes se decide se a cobertura vai ter infiltrações. A área vertical deve medir-se em toda a altura desenvolvida, incluindo a sobreposição na horizontal e o remate superior, e não apenas até à cota do terreno.

O que facilita ou complica o trabalho

O esforço numa superfície vertical não depende apenas dos metros quadrados. Pesam sobretudo estes fatores:

  • altura da parede: em paredes altas é preciso emendar ou fixar a membrana e trabalhar a partir de andaime,
  • número de cantos, reentrâncias, pilares e atravessamentos: uma parede longa e reta é muito mais simples do que uma planta recortada,
  • estado do suporte: alvenaria antiga de pedra ou tijolo sem camada de regularização tem de ser primeiro rebocada ou barrada,
  • remoção de impermeabilização antiga, restos de pinturas e terra em reabilitações,
  • acesso: uma vala estreita junto ao muro do vizinho ou uma platibanda sem andaime atrasam bastante o trabalho,
  • proximidade de materiais combustíveis e de janelas, que é preciso proteger ou resolver com outra técnica,
  • tempo: com humidade e frio o trabalho interrompe-se.

Na reabilitação de casas antigas, frequentes nos centros históricos e no interior do país, verifica-se muitas vezes que o que mais tempo leva é escavar, limpar e regularizar a parede, e a soldadura propriamente dita é depois mais rápida. Numa construção nova com parede reta de betão ou de blocos acontece o contrário.

Com que outras especialidades se articula

A impermeabilização vertical está a meio de uma sequência de trabalhos e a sua qualidade depende do entendimento entre os vários profissionais.

  • com o pedreiro e a equipa de betão: suporte regular, arestas arredondadas, meia-cana no canto e betão suficientemente curado,
  • com o canalizador e o eletricista: colocar todas as passagens antes, de preferência com manga ou flange de vedação onde a membrana possa ligar,
  • com quem aplica o isolamento térmico da cave: a cola das placas de XPS deve ser compatível com betume, porque as colas com solventes atacam o betume,
  • com quem faz o aterro: aterrar apenas depois da verificação, sem pedras junto à parede e por camadas,
  • na cobertura, com quem executa os rufos: o rufo da platibanda deve cobrir o remate superior da membrana de modo que a água não entre por trás.

Num prédio em condomínio, por exemplo na impermeabilização de garagens enterradas ou da cobertura, convém combinar com a administração do condomínio as datas, o acesso à obra, o local para o material e a proteção das zonas comuns, e avisar os condóminos de que vai haver trabalho com chama aberta.

Erros típicos e como se manifestam mais tarde

Os erros na impermeabilização vertical são traiçoeiros, porque depois do aterro ninguém os vê. Revelam-se apenas por manchas de humidade, eflorescências de sais ou bolor na cave, por vezes anos depois.

  • suporte sem primário ou com pó: a membrana prende só à superfície e acaba por descolar,
  • aquecimento insuficiente: a membrana cola apenas em pontos e formam-se canais por onde a água circula,
  • sobreaquecimento: a armadura queima, o betume escorre e a membrana perde resistência nesse ponto,
  • falta de fixação mecânica no topo: a membrana descola, dobra e a água escorre por trás,
  • bordo superior abaixo da cota do terreno: a água do soco entra por trás, a impermeabilização deve normalmente terminar acima do terreno,
  • canto vivo sem meia-cana: a membrana não assenta no canto e rasga com os assentamentos,
  • sobreposições curtas ou mal orientadas: a água entra na junta,
  • atravessamentos resolvidos só com mastique: o mastique endurece com o tempo e descola,
  • aterro com entulho e pedras diretamente sobre a membrana, sem camada de proteção,
  • uma só camada onde existe água sob pressão.

A proteção da impermeabilização depois de concluída é um trabalho à parte, mas indispensável. Sob o terreno coloca-se normalmente membrana pitonada com os pitons virados para o terreno, placas de XPS ou outra camada de proteção. O aterro faz-se por camadas e compacta-se com cuidado, para que a membrana não se desloque nem seja perfurada.

Quanto tempo demora e o que se deve respeitar

A soldadura fica pronta assim que a membrana arrefece, normalmente em poucos minutos. A duração total, porém, depende da preparação. O primário precisa, segundo o fabricante, de algumas horas até cerca de um dia para secar, mais com frio e humidade. Um reboco ou camada de regularização acabados de fazer têm de secar antes do primário. O betão de paredes novas precisa de tempo para perder a humidade em excesso, em regra várias semanas.

Numa superfície vertical faz-se menos área por dia do que na horizontal, porque os pormenores se acumulam. Numa casa de planta simples com paredes retas, a cave fica muitas vezes impermeabilizada em poucos dias; numa planta recortada com alvenaria antiga deve contar-se com mais tempo. Não convém aterrar logo após a conclusão: primeiro verifica-se e fotografa-se a impermeabilização.

Quanto à segurança: em trabalhos com chama aberta deve haver um extintor no local e, no fim, o sítio vigia-se durante algum tempo para confirmar que nenhum resto de material ficou a arder sem chama. As garrafas de propano não ficam dentro da vala, onde o gás, mais pesado que o ar, se acumula junto ao chão. Em caso de cheiro a gás, deve abandonar-se o local e ligar para a linha de emergência do distribuidor ou para o 112; em caso de incêndio, para o 112.

Guia faça você mesmo: preparação do suporte antes da soldadura

A soldadura a maçarico numa parede deve ficar a cargo de aplicadores profissionais. O trabalho com chama numa vala ou num andaime é arriscado e um erro dificilmente se deteta. A preparação do suporte, no entanto, ajuda muito a equipa e garante que a membrana terá onde aderir.

  1. Escavar a terra junto à parede até à profundidade combinada, apenas na medida em que seja seguro; escavações mais fundas ficam para uma empresa com entivação.
  2. Limpar a parede de terra, pinturas antigas e partes soltas com escova de aço e deixá-la secar.
  3. Remover saliências de argamassa e arredondar as arestas vivas.
  4. Preencher buracos e juntas maiores com argamassa de reparação e deixá-la curar conforme o fabricante.
  5. Varrer ou aspirar o pó da parede e da aba horizontal da fundação.
  6. Aplicar primário betuminoso à trincha ou ao rolo numa camada fina e uniforme, só depois de combinar com o aplicador o tipo de primário.
  7. Deixar o primário secar conforme a ficha técnica e protegê-lo da chuva e do pó.
  8. Retirar das imediações poliestireno, madeira e outros materiais combustíveis.

Receção do trabalho concluído

A receção deve fazer-se antes de a impermeabilização ser tapada. Convém percorrer toda a parede e testar com cuidado os bordos das juntas com uma espátula romba: não devem levantar. Na receção verifica-se:

  • membrana soldada em toda a área, sem bolhas, pregas nem bordos levantados,
  • cordão contínuo de betume visível nas juntas laterais,
  • sobreposições com largura suficiente e dispostas de modo que a água escorra por cima delas e não para dentro,
  • meia-cana no canto e membrana bem assente sem vazios,
  • cantos e atravessamentos reforçados e bem ligados,
  • sobreposição inferior com a impermeabilização horizontal contínua e soldada,
  • bordo superior com perfil de remate, fixado e vedado com mastique,
  • impermeabilização a terminar acima da cota final do terreno ou sob o rufo da platibanda,
  • membrana sem zonas queimadas nem danos mecânicos,
  • registo fotográfico de toda a superfície e dos pormenores, e dados da membrana utilizada.

Perguntas frequentes

Não é boa ideia. Ao aquecer, a humidade do suporte transforma-se em vapor, formam-se bolhas sob a membrana e esta não adere. O suporte deve estar seco e o betão curado segundo as indicações do fabricante da membrana e do primário.

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