Preçário 2026 · Portugal

Montagem de ripado sob telha

O ripado é a fiada de ripas horizontais onde se penduram as telhas cerâmicas, as telhas de betão, as telhas metálicas ou outro revestimento de peças sobrepostas. Visto da rua não se nota, mas é ele que decide se as fiadas de telha ficam direitas, se as peças encaixam bem umas nas outras e se o telhado aguenta o vento

Atualizado 09/2026·13 min read·8 price list items
Preço do trabalho padrão
4,40 €/ m²
Intervalo indicativo
3,52 € - 5,72 €
Apartamento de 60 m²
660,00 €
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Caleiras, rufos e remates em chapa8 itens

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ArtigoUnidadePreço / un.QuantidadeTotal
Coberturas
Instalar ripado para telhadom²4,40 €-
Instalar contrarripadom²4,90 €-
Instalar barreira de vaporm²3,65 €-
Revestimento de fachada em chapa com junta agrafada angularm²25,00 €-
Cobertura em chapa com junta agrafada / junta de pém²23,75 €-
Instalar membrana impermeabilizante PVC (telhado plano)m²-
Teste de faísca em membrana PVC (telhado plano)m²-
Assentar telha cerâmica/betãom²37,50 €-
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Para que serve o ripado e porque é tão importante

Um telhado de telha não é uma superfície contínua. Cada telha fica presa à ripa pelo seu ressalto traseiro (o chamado gancho ou nervura de apoio) e sobrepõe-se às vizinhas. Por isso, a distância entre ripas não é livre: é o fabricante da telha que a define, para cada modelo e para cada inclinação do telhado. Se as ripas ficarem demasiado juntas, as telhas sobrepõem-se mais do que deviam e a fiada de cima não assenta. Se ficarem demasiado afastadas, a sobreposição é curta e, com chuva batida pelo vento, a água entra por baixo da telha.

As ripas também suportam carga: o peso da telha, de quem sobe ao telhado para manutenção e, sobretudo em zonas expostas como o litoral, a sucção do vento, que tenta levantar as telhas. Nos telhados atuais, as ripas assentam sobre contra-ripas, ou seja, sobre ripas colocadas no sentido da pendente, por cima da membrana de subtelha. Assim forma-se um espaço ventilado entre a membrana e a telha: a humidade sai por ali e a água que passe por baixo da telha escorre pela membrana até ao beirado.

Porque é que as ripas não se pregam diretamente sobre a membrana? Porque a apertariam contra as varas (caibros) e a água ficaria retida em cima de cada ripa. É precisamente por isso que hoje o contra-ripado é praticamente obrigatório quando existe membrana, e o ripado assenta sobre ele.

O que deve estar pronto antes de montar as ripas

Este trabalho parte do princípio de que a base está concluída. O telhador deve encontrar no telhado:

  • a estrutura de madeira verificada pelo carpinteiro, sem varas podres ou partidas,
  • a membrana de subtelha colocada, com as juntas sobrepostas e coladas segundo o fabricante,
  • as contra-ripas montadas, direitas e no mesmo plano,
  • o rufo de beirado colocado ou, pelo menos, definida a solução do beirado e da caleira,
  • escolhido o modelo concreto de telha, incluindo as peças de cumeeira e de remate lateral.

O último ponto é o que mais se desvaloriza. Sem a ficha técnica da telha não é possível calcular o ripado. O fabricante indica o intervalo em que o espaçamento das ripas (o chamado galgamento ou passo) pode variar, a distância da primeira ripa ao beirado e da última à cumeeira. Nas telhas metálicas em painel com módulo fixo, o espaçamento é exato e não se pode alterar. Se a telha só for escolhida depois do ripado, é muito provável que as ripas tenham de ser arrancadas e pregadas de novo.

Numa reabilitação em que só se substituem o ripado e a telha, o estado das contra-ripas e da membrana só se avalia depois de levantar a telha antiga. Um telhado antigo sem membrana, onde as ripas estavam pregadas diretamente nas varas, resolve-se quase sempre acrescentando membrana e contra-ripado. Isso já é outro trabalho, o combinado.

O trabalho em altura tem de estar resolvido: andaime ou guarda-corpos no beirado e equipamento anti-queda para quem trabalha. Durante a montagem, as ripas servem de degraus, mas não são equipamento de segurança.

Ripas: madeira, secção e proteção

Secção de acordo com a distância entre apoios

Uma ripa funciona como uma pequena viga apoiada nas contra-ripas. Quanto maior for a distância entre contra-ripas (ou seja, entre varas), mais robusta tem de ser a ripa. Com o afastamento habitual das varas numa moradia, usam-se normalmente ripas com cerca de 30 × 50 mm. Com varas mais espaçadas, telha mais pesada ou zonas de montanha com neve, recorre-se a secções de cerca de 40 × 60 mm. Quem decide é o projeto ou a recomendação do fabricante da telha, não o hábito.

Qualidade e humidade da madeira

Em Portugal usa-se sobretudo pinho ou casquinha classificados para uso estrutural. A ripa não deve ter nós grandes que atravessem a secção, fendas nem empenos. A madeira deve estar suficientemente seca, como referência até cerca de 20 % de humidade. Ripas molhadas torcem e contraem depois de pregadas, as fiadas de telha ficam onduladas e os pregos acabam por soltar. Na prática, acontece com frequência as ripas ficarem várias semanas na obra ao sol e à chuva. Antes de as montar, convém escolhê-las uma a uma e pôr de parte as que estão torcidas.

Tratamento

As ripas devem vir tratadas contra fungos e insetos xilófagos, de preferência em autoclave, que é o tratamento mais comum por cá. As pontas cortadas em obra devem ser pinceladas com o produto indicado pelo fabricante do tratamento. As superfícies de corte sem proteção são o primeiro sítio onde aparece apodrecimento, sobretudo junto ao beirado.

Fixações

As ripas pregam-se com pregos galvanizados ou com outra proteção contra a corrosão, muitas vezes pregos anelados, que resistem melhor ao arrancamento. O comprimento do prego deve ser, regra geral, pelo menos duas vezes e meia a espessura da ripa, para atravessar a ripa e a contra-ripa e ficar bem ancorado na vara. Alguns telhadores preferem parafusos, sobretudo em zonas muito ventosas ou onde é preciso um aperto mais preciso. Pregos comuns sem proteção enferrujam no telhado, especialmente perto do mar, e encurtam a vida da ligação.

Em telhados sobre laje de betão

Em muitas casas portuguesas, a telha não assenta numa estrutura de madeira mas sobre uma laje inclinada. Nesses casos, as contra-ripas são fixadas à laje com buchas e parafusos adequados, e o ripado vai por cima delas. A lógica do ripado é a mesma: espaçamento conforme a telha, ripas no mesmo plano e ventilação livre. Também existem ripados em perfis metálicos ou em PVC, que não apodrecem, mas que exigem as fixações e os acessórios previstos pelo respetivo fabricante.

Como se monta o ripado passo a passo

Cálculo do espaçamento

O telhador mede primeiro o comprimento da água do telhado junto às duas empenas e a meio. Ao comprimento total retira a faixa junto ao beirado e junto à cumeeira que o fabricante indica. O resto divide em espaçamentos iguais, que caiam dentro do intervalo permitido. O objetivo é que todas as fiadas de telha tenham a mesma sobreposição e que não seja preciso cortar telhas debaixo da cumeeira. Nas telhas metálicas de módulo fixo faz-se ao contrário: o espaçamento está definido e ajusta-se a posição da última ripa junto à cumeeira.

Ripa de beirado e ripa de cumeeira

A primeira ripa junto ao beirado fica mais alta, normalmente com a espessura de uma ripa a mais ou conforme o sistema de telha. A primeira fiada não tem outra fiada por baixo onde se apoiar e, sem esse acréscimo, ficaria mais deitada do que as restantes. Junto à cumeeira coloca-se a última ripa e a ripa de cumeeira em suportes próprios, que recebe as telhas de cumeeira (capas). A altura dessa ripa acerta-se de acordo com o sistema de cumeeira escolhido.

A fixação em si

  1. Marcar a posição das ripas nas contra-ripas das extremidades e esticar um fio ou usar um nível laser.
  2. Colocar e pregar a ripa de beirado sobrelevada.
  3. Avançar em direção à cumeeira, verificando o espaçamento de cada ripa com uma régua ou um gabarito.
  4. Pregar a ripa em cada cruzamento com uma contra-ripa.
  5. Fazer as emendas das ripas sempre sobre uma contra-ripa e desencontrá-las, para não ficarem todas sobre a mesma vara.
  6. Controlar com o fio, ao longo do trabalho, se as ripas continuam paralelas ao beirado.
  7. Colocar a última ripa e os suportes da ripa de cumeeira segundo o sistema da telha.
  8. Acrescentar as ripas nos pontos singulares e tratar as superfícies de corte.

Cada ripa deve apoiar em pelo menos três contra-ripas. Pedaços curtos de ripa, que só passam por um ou dois apoios, são um ponto fraco no meio do telhado.

Pormenores que fazem parte do ripado

  • ripas suplementares à volta da chaminé, das janelas de telhado e das trapeiras, segundo as instruções de montagem da janela ou do rufo,
  • ripas ou tábuas nos rincões, onde assenta a chapa ou a faixa do rincão,
  • ripas de laró nos telhados de quatro águas,
  • ripas de bordo junto às empenas, para as telhas de remate lateral ou para o rufo de empena,
  • ripas suplementares para os suportes de painéis fotovoltaicos, plataformas de circulação ou ganchos de neve em zonas de montanha, se o fabricante o exigir,
  • pente de beirado ou grelha de ventilação contra pássaros, conforme combinado.

Nos orçamentos, estes pormenores umas vezes aparecem à parte, outras estão incluídos no valor por m². Convém esclarecer, antes de começar, o que o trabalho inclui.

Só ripado, só contra-ripado ou as duas camadas juntas

Na tabela de preços existem três trabalhos aparentados. Diferem na extensão e no estado em que o telhado está quando a equipa chega.

  • Montagem de ripado sob telha: apenas as ripas horizontais, sobre contra-ripas já feitas. Faz sentido quando o carpinteiro executou o contra-ripado juntamente com a estrutura e a membrana, ou quando, na troca de telha, as contra-ripas e a membrana existentes estão em bom estado. O trabalho depende sobretudo de um cálculo exato e de espaçamentos iguais.
  • Montagem de contra-ripado: apenas as ripas no sentido da pendente, sobre as varas e por cima da membrana. Servem para criar o espaço ventilado, segurar a membrana e acertar o plano do telhado. Aqui o trabalho centra-se nos calços, na planeza e na vedação dos furos dos pregos através da membrana.
  • Ripado e contra-ripado em conjunto: a mesma equipa faz as duas camadas de seguida. É comum em construção nova e em reabilitações em que se acrescenta membrana. A vantagem é haver um único responsável pelo plano e pelos espaçamentos.

Encomenda-se só o ripado quando outra pessoa responde pelas contra-ripas. Isso significa que o telhador responde apenas pela sua camada. Se as contra-ripas estiverem tortas, as ripas não as corrigem: a ripa acompanha a base e a ondulação passa para a telha. Por isso, um bom telhador inspeciona as contra-ripas antes de começar e comunica os problemas antes do primeiro prego. Para o dono da obra, a pergunta decisiva é simples: quem garante o plano do telhado? Se não houver resposta clara, o trabalho combinado costuma ser a escolha mais segura.

O que facilita e o que complica o trabalho

O caso mais simples é um telhado de duas águas, com planos direitos, sem atravessamentos e com bom acesso a partir do andaime. As ripas vão de empena a empena, há um só cálculo para toda a água e o trabalho avança depressa.

Tornam o trabalho mais demorado e mais exigente, sobretudo:

  • telhados de quatro águas ou em pavilhão, onde cada ripa tem de ser cortada em ângulo junto ao laró,
  • rincões, trapeiras, várias janelas de telhado e chaminés,
  • varas com comprimentos diferentes na mesma água, por exemplo em telhados com mudança de inclinação, que obrigam a vários cálculos,
  • telhas de passo pequeno, como telhas planas de pequeno formato em cobertura dupla, que levam muito mais ripas por m²,
  • maior afastamento entre varas, que exige ripas mais grossas e pesadas,
  • inclinação acentuada, edifício alto e acesso difícil para subir o material,
  • reabilitações em que é preciso retirar as ripas velhas e arrancar restos de pregos,
  • vento, chuva ou geada, que impedem um trabalho seguro em cima do telhado.

Num telhado simples de moradia, uma equipa experiente de duas ou três pessoas faz normalmente o ripado em um a dois dias. Um telhado recortado e cheio de pormenores pode demorar várias vezes mais. O ripado não tem tempos de secagem nem de cura. Ainda assim, não convém deixar a membrana muito tempo exposta sem telha: a maioria das membranas só aguenta o sol durante um período limitado, indicado pelo fabricante, e as ripas sozinhas não protegem da chuva.

Ligação com as outras especialidades

O ripado é uma etapa curta, mas há muitas especialidades que dependem dele. A maioria dos problemas surge quando algo que devia ficar por baixo das ripas só é feito depois.

  • carpinteiro: entrega a estrutura, a membrana e as contra-ripas, e o telhador confirma o plano e as distâncias,
  • picheleiro ou funileiro: o rufo de beirado, os ganchos da caleira e alguns rufos colocam-se antes das ripas ou ao mesmo tempo, e a ordem deve ser combinada,
  • janelas de telhado: a janela é instalada no ripado, com ripas suplementares segundo as instruções do fabricante,
  • painéis fotovoltaicos: os ganchos de suporte fixam-se nas varas, por isso a sua posição resolve-se no ripado e não depois com a telha assente,
  • para-raios: os suportes e os condutores são montados por um eletricista ou técnico qualificado, e o telhador deixa os pontos preparados,
  • isolamento do sótão: faz-se pelo interior depois de o telhado estar coberto, e os pregos do ripado não podem danificar a barreira de vapor, se já estiver colocada.

Se estiver prevista uma saída de ventilação, uma antena ou uma claraboia de acesso ao telhado, convém marcar a posição antes do ripado. O telhador acrescenta logo as ripas nesse ponto. Num condomínio, onde o telhado é parte comum, estas articulações devem ser alinhadas com a administração do condomínio antes de a equipa começar.

Erros típicos e como se manifestam

Os erros no ripado notam-se muitas vezes só ao assentar a telha, e alguns só anos mais tarde.

  • espaçamentos desiguais: as fiadas não se penduram corretamente, aparecem folgas ou, pelo contrário, telhas forçadas, e é preciso cortar telhas debaixo da cumeeira,
  • ripa de beirado sem sobrelevação: a primeira fiada fica mais deitada, a água pode voltar para baixo da telha e a fiada parece abatida,
  • ripas não paralelas ao beirado: as fiadas ficam tortas ou onduladas, e o defeito vê-se da rua,
  • emendas de ripas todas sobre a mesma vara: cria-se uma zona fraca que pode ceder com o peso de quem anda no telhado,
  • pregos em falta em alguns cruzamentos: a ripa trabalha com o vento ou ao pisar e vai-se soltando,
  • madeira sem tratamento ou molhada: ripas torcidas e, mais tarde, apodrecimento junto ao beirado e à chaminé,
  • ripas pregadas diretamente sobre a membrana sem contra-ripas: a água fica retida acima das ripas, a membrana é esmagada e aparecem manchas de humidade no sótão,
  • falta de ripas suplementares na chaminé e nas janelas: os rufos ficam sem apoio e a telha nesse ponto não assenta firme,
  • espaço ventilado bloqueado na cumeeira ou no beirado: a humidade fica presa debaixo da telha e, nas noites frias, forma-se condensação na membrana.

A maior parte destes erros deteta-se com um gesto simples: pendurar a título de ensaio duas ou três fiadas de telha numa das águas, antes de descarregar toda a telha no telhado.

Receção do ripado concluído

O ripado deve ser verificado antes de se assentar a telha, enquanto tudo ainda se corrige com facilidade. O espaçamento mede-se em vários pontos, junto às duas empenas e a meio. O paralelismo confirma-se com um fio esticado ao longo da ripa. Convém olhar também para os pormenores que deixam de se ver depois de o telhado estar coberto.

  • o espaçamento das ripas corresponde à ficha técnica da telha escolhida e é igual em toda a água,
  • a ripa de beirado está sobrelevada segundo o sistema de telha,
  • a ripa de cumeeira e os seus suportes estão à altura certa,
  • as ripas estão paralelas ao beirado e no mesmo plano, sem ondulações visíveis,
  • cada ripa está pregada em todos os cruzamentos com as contra-ripas,
  • as emendas ficam sobre contra-ripas e estão desencontradas,
  • cada ripa apoia em pelo menos três contra-ripas,
  • a madeira está tratada e as superfícies de corte protegidas,
  • as ripas suplementares na chaminé, nas janelas, nos rincões, nos larós e nas empenas estão colocadas,
  • os pontos para painéis fotovoltaicos, para-raios e, se for o caso, ganchos de neve estão preparados,
  • a membrana não está danificada e o espaço ventilado no beirado e na cumeeira está livre,
  • as fiadas de ensaio encaixam sem folgas e sem telhas forçadas.

Perguntas frequentes

Em telhados com membrana de subtelha, não. As ripas apertariam a membrana contra as varas e a água ficaria retida em cima delas. Nos telhados antigos sem membrana, as ripas iam diretamente às varas, mas numa reabilitação essa solução costuma ser substituída por membrana e contra-ripado.

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