Preçário 2026 · Portugal

Entivação de escavações até 2 m

A entivação é uma estrutura provisória que segura as paredes de uma vala ou de um poço. Evita que a terra caia sobre quem trabalha lá dentro e sobre a tubagem no fundo. Faz falta num ramal de água ou de saneamento, numa drenagem à volta da casa, na escavação para uma caixa de visita ou na reparação de uma rotura.

Atualizado 09/2026·12 min read·1 price list items
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Escavações e movimentos de terras1 itens

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Escoramento
Escoramento de valas até 2m de profundidadem²25,00 €-
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Porque e quando se entiva uma escavação

A terra na parede de uma vala aguenta-se apenas pela sua coesão natural e pela humidade. Basta chover, a terra secar, passar um camião ao lado ou acumular-se o material escavado junto à borda para esse equilíbrio se perder. Um desabamento típico nem parece dramático: um pedaço da parede solta-se da aresta superior e cai para dentro. A cerca de um metro e meio de profundidade, isso chega para prender uma pessoa contra o fundo e impedi-la de respirar.

As regras de segurança no trabalho em obra exigem, em regra, a entivação das paredes verticais a partir de uma profundidade de aproximadamente 1,2 a 1,3 m. Em solos soltos, junto a estradas e edifícios ou com vibrações, pode ser necessária mesmo a menor profundidade. A alternativa é o taludamento, ou seja, escavar as paredes com uma inclinação. Exige muito mais espaço e muito mais terra removida. Num terreno estreito, junto a um muro, à casa do vizinho ou a um passeio, normalmente não há espaço para taludar. É aí que entra a entivação.

A entivação não protege só os trabalhadores. Protege também as fundações vizinhas, os muros, o passeio e as redes já instaladas. Quando a parede da vala cede, a terra à volta desloca-se na sua direção. Por baixo das construções vizinhas podem formar-se vazios que só se notam semanas depois, num pavimento abatido ou numa fissura.

O que inclui este trabalho e como se mede a área

Na tabela de preços, a entivação de escavações até 2 m é medida em metros quadrados. Conta a área das paredes entivadas, não a área do fundo nem o volume escavado. Uma vala com 10 m de comprimento e 1,8 m de profundidade, entivada dos dois lados, dá aproximadamente 36 m². Num poço para uma caixa de visita somam-se as quatro paredes.

Ao comparar orçamentos, convém ver exatamente o que está incluído. Normalmente fazem parte:

  • o transporte e a preparação do material ou do sistema de entivação,
  • a colocação de pranchas, prumos e escoras à medida que a escavação aprofunda,
  • o controlo contínuo e o reaperto das escoras durante os trabalhos.

A remoção da entivação aparece muitas vezes como trabalho à parte, porque se faz mais tarde, juntamente com o aterro. Também costumam ser trabalhos separados a própria escavação, o transporte de terras, a bombagem de água e o aterro com compactação. Se o orçamento juntar tudo, deve dizê-lo com clareza. Caso contrário, surge facilmente a dúvida sobre quem retira a entivação no fim e quando.

O limite dos 2 m não é por acaso. Até esta profundidade trabalha-se quase sempre com sistemas ligeiros e madeira. Em escavações mais fundas é normalmente necessário um cálculo estrutural, caixas de entivação mais robustas ou estacas-prancha, e isso já é outra categoria de trabalho.

Métodos de entivação até 2 m de profundidade

Para profundidades menores existem várias soluções comprovadas. A escolha depende do tipo de solo, do comprimento da vala, do espaço para máquinas e do tempo que a escavação vai ficar aberta.

Entivação horizontal com pranchas de madeira

É o método clássico, conhecido por qualquer equipa de escavação. Encostam-se às paredes pranchas na horizontal, normalmente com cerca de 5 cm de espessura. São seguras por prumos verticais e, entre as paredes opostas, colocam-se escoras. As pranchas vão sendo acrescentadas de cima para baixo, à medida que a vala aprofunda. Serve para solos coesos, em que a parede se aguenta uns momentos sem apoio, como terras argilosas ou barrentas. A vantagem é a flexibilidade: a madeira contorna um tubo, um cabo ou uma raiz. A desvantagem é a montagem mais lenta e o trabalho manual.

Entivação vertical cravada

Em solos soltos, como cascalho ou areia, a parede cai antes de haver tempo para encostar uma prancha. Por isso, as pranchas colocam-se na vertical e são cravadas ou empurradas no terreno antes de avançar a escavação. A terra só é retirada depois, já atrás delas. É um método mais trabalhoso, mas em mau terreno é muitas vezes o único seguro.

Caixas de entivação metálicas

Uma caixa de entivação é formada por dois painéis de aço ligados por escoras reguláveis. A escavadora desce-a inteira para dentro da vala ou vai-a empurrando durante a escavação. Em valas compridas para ramais e saneamento, é uma solução rápida e muito segura, porque a montagem se faz quase toda à superfície. Depois, a caixa vai sendo arrastada ao longo da vala. Precisa, no entanto, de uma escavadora com capacidade suficiente e de espaço para manobrar. Num pátio apertado entre casas pode não ser possível usá-la.

Quadros de escoramento e escoras hidráulicas

Em valas estreitas usam-se também quadros leves de alumínio ou aço com escoras hidráulicas ou de rosca, que apertam painéis ou tábuas contra as paredes. Montam-se depressa, muitas vezes a partir de cima, sem entrar na vala. São adequados para trabalhos curtos, como a reparação de uma rotura na rede de água.

Numa moradia, o mais comum é a entivação com pranchas de madeira em valas curtas e irregulares e a caixa de entivação em valas longas e retas. Se a equipa propuser outra coisa, vale a pena perguntar porquê. Um bom encarregado explica-o numa frase, por exemplo «aqui é cascalho, as pranchas não chegavam a tempo».

Preparação antes do início dos trabalhos

A entivação anda de mãos dadas com a escavação, por isso a preparação diz respeito a toda a intervenção. Antes de a equipa chegar, deve estar tratado:

  • a localização das redes enterradas (gás, água, eletricidade, telecomunicações, saneamento), pedida às respetivas entidades gestoras e marcada no terreno,
  • num prédio em condomínio, a combinação prévia com a administração do condomínio, se a escavação for junto a redes comuns ou no logradouro do edifício,
  • o acesso para a escavadora e o camião e um sítio para depositar as terras escavadas e o material de entivação,
  • uma conversa com o vizinho, se a vala passar junto ao seu muro ou às suas fundações.

A localização das redes é essencial. Ao limpar à mão e ao cravar pranchas, é fácil atingir um cabo ou uma conduta de gás. Se uma conduta de gás for danificada ou se sentir cheiro a gás, deve-se sair imediatamente da vala e da zona à volta, não fumar, não usar aparelhos elétricos e ligar, a partir de uma distância segura, para a linha de emergência do distribuidor de gás ou para o 112. Se for danificado um cabo elétrico, não se lhe deve tocar e convém chamar o operador da rede de distribuição. A reparação só pode ser feita por um eletricista qualificado.

Como decorre a entivação em obra

O procedimento varia com o sistema. Numa vala comum até 2 m, com entivação de madeira ou mista, resume-se assim:

  1. marcar o traçado da vala e confirmar a posição das redes localizadas,
  2. retirar o revestimento (calçada, asfalto, terra vegetal) e guardar a terra vegetal separada das restantes terras,
  3. escavar uma primeira fase até à profundidade em que a parede ainda se aguenta com segurança, normalmente só algumas dezenas de centímetros,
  4. colocar as primeiras pranchas de forma a ficarem cerca de 10 a 15 cm acima do terreno e travarem pedras ou ferramentas que caiam de cima,
  5. montar os prumos e as escoras e apertá-los para que as pranchas encostem bem à parede,
  6. continuar a escavar por fases e, em cada fase, acrescentar pranchas e escoras,
  7. preencher os espaços entre a prancha e a parede com terra ou cunhas, para que a prancha não tenha folga,
  8. colocar uma escada ou outro acesso seguro que ultrapasse a borda da vala,
  9. proteger a borda da vala com barreira ou fita e, se a vala estiver na via pública, com iluminação à noite.

Com caixa de entivação o processo é mais simples: a escavadora abre um troço, desce a caixa ou vai-a empurrando, e os trabalhadores só entram na vala quando a caixa está no lugar. Depois de assentar o tubo e fazer parte do aterro, a caixa avança.

Há uma regra fundamental para todos os métodos: ninguém pode estar numa parte da vala sem entivação, nem «só um instante, enquanto se passa uma prancha». É precisamente nesses instantes que acontecem os acidentes. Por isso, a entivação de uma vala funda não é trabalho para amadores. Exige experiência, equipamento e alguém a vigiar a parede de cima.

As terras escavadas devem ficar a uma distância suficiente da borda, normalmente pelo menos cerca de meio metro, e mais longe com máquinas pesadas ou montes altos. Um monte pesado empurra a parede e a entivação com uma carga que pode não ter sido prevista ao dimensionar as escoras.

O que facilita e o que dificulta o trabalho

A dificuldade da entivação, e portanto o tempo e a dimensão do trabalho, depende sobretudo de:

  • tipo de solo: uma terra argilosa coesa entiva-se mais facilmente do que cascalho solto, aterro com entulho ou areia,
  • água no terreno: se a água atravessa a parede, arrasta terra e é preciso bombear ou fechar mais a entivação,
  • redes que cruzam a vala: cada tubo ou cabo obriga a limpeza manual e a ajustar a entivação à volta,
  • espaço disponível: num pátio estreito pode não ser possível usar caixa e a madeira tem de ser carregada à mão,
  • proximidade de edifícios e estradas: vibrações e cargas do trânsito exigem escoras mais apertadas e um controlo mais cuidadoso,
  • forma da escavação: uma vala longa e reta é mais simples do que uma escavação com curvas, alargamentos e caixas,
  • tempo meteorológico: a chuva amolece as paredes e, depois de períodos de chuva intensa, o terreno pode ceder de repente.

Quanto ao tempo, uma vala curta para um ramal de água é muitas vezes aberta e entivada por uma equipa experiente num só dia. Uma vala de saneamento mais longa com caixa de entivação avança mais ou menos ao ritmo da própria escavação e do assentamento. Com entivação de madeira em mau terreno, o ritmo abranda bastante, porque cada fase tem de ficar segura antes da seguinte.

Também conta o tempo que a vala fica aberta. Uma entivação que aguenta um dia pode não aguentar duas semanas de chuva e mudanças de temperatura. Se os trabalhos na vala se prolongarem, por exemplo à espera da ligação pela entidade gestora da rede, convém contar com verificações mais frequentes e reaperto das escoras.

Ligação com os outros trabalhos

A entivação é apenas o meio que permite fazer o trabalho principal dentro da vala. Vale a pena combinar antecipadamente quem faz o quê e por que ordem:

  • antes da entivação: localização das redes e, se for o caso, remoção de calçada ou asfalto,
  • durante a entivação: o canalizador ou a equipa que assenta a tubagem, as caixas ou a drenagem,
  • depois de assentar a tubagem: o topógrafo para o levantamento do traçado real, se a entidade gestora o pedir, e a verificação da tubagem antes do aterro,
  • no fim: aterro por camadas com compactação e remoção gradual da entivação.

A remoção da entivação é muitas vezes subestimada. As pranchas não se retiram todas de uma vez antes do aterro. Trabalha-se de baixo para cima: aterra-se e compacta-se uma camada, solta-se a parte correspondente da entivação, e assim por diante. Se a entivação sair cedo demais, a parede pode deslizar para o aterro, danificar a tubagem acabada de assentar ou impedir uma boa compactação. Com caixa de entivação, a caixa vai normalmente sendo levantada durante o aterro.

Quando a vala leva tubagem de saneamento, a inclinação correta e a cama do tubo verificam-se ainda com a vala entivada. Depois do aterro, nada se corrige sem voltar a escavar. Por isso, a entivação deve ficar no lugar até tudo estar verificado.

Erros típicos e como se manifestam

Na prática repetem-se os mesmos erros. Alguns são perigosos de imediato, outros só se notam com o tempo:

  • entrar numa parte da vala sem entivação, o que pode acabar em soterramento, mesmo a cerca de 1,5 m,
  • entivação que não sobressai acima do terreno, deixando cair para a vala pedras, torrões ou ferramentas,
  • terras escavadas encostadas à borda, que carregam a parede e deformam a entivação,
  • escoras mal apertadas ou demasiado espaçadas, com pranchas a fletir e vazios a formarem-se atrás delas,
  • espaços por preencher atrás das pranchas, que levam a terra a deslizar aos poucos e o terreno à volta a abater,
  • madeira danificada ou podre, que parte sob pressão,
  • retirar a entivação toda de uma vez antes do aterro, com a parede a cair sobre o tubo e o aterro a assentar mais tarde,
  • entivação sem verificação depois da chuva ou de um fim de semana, sem ninguém confirmar se algo se mexeu.

As consequências aparecem muitas vezes só meses depois. Um pavimento abatido sobre o traçado do ramal, uma fissura num lancil ou um tubo de saneamento ondulado numa inspeção vídeo têm muitas vezes origem numa vala mal entivada ou desentivada cedo demais. Por isso convém controlar também o que deixa de se ver depois do aterro.

Verificação e receção do trabalho

A entivação não se entrega como uma obra para durar anos, mas como um estado seguro da escavação antes do trabalho seguinte. Deve ser verificada antes de alguém entrar, depois de cada chuvada, depois de uma pausa nos trabalhos e antes do aterro. Na receção convém confirmar os seguintes pontos:

  • todas as paredes verticais da escavação funda estão entivadas em toda a altura, até ao fundo,
  • a entivação sobressai acima do terreno e protege a vala da queda de objetos,
  • as pranchas encostam bem à parede e não há vazios visíveis atrás delas,
  • as escoras estão bem apertadas, não estão empenadas e ninguém as usa como degrau,
  • a madeira e os elementos de aço não estão rachados, podres ou danificados de outra forma,
  • as terras escavadas e os materiais estão a uma distância suficiente da borda,
  • existe um acesso seguro à vala que ultrapassa a borda,
  • a borda está vedada e, na via pública, sinalizada e iluminada à noite,
  • não há água parada no fundo a minar as paredes ou está garantida a bombagem,
  • antes do aterro está combinada a sequência de aterro, compactação e remoção gradual da entivação,
  • o registo dos trabalhos indica a área entivada, para poder ser comparada com os metros quadrados faturados.

Perguntas frequentes

Em regra, sim. Com paredes verticais, a entivação é exigida a partir de cerca de 1,2 a 1,3 m e, em solo solto, junto a uma estrada ou a um edifício, até antes. Sem entivação, as paredes têm de ser taludadas com segurança, o que pede mais espaço.

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