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Instalação elétrica num apartamento T0: montagem e acabamento

Refazer a instalação elétrica num apartamento de uma assoalhada, o típico T0, é um trabalho comum quando se remodela um estúdio ou um pequeno apartamento num prédio de betão dos anos 70 ou 80, ou num edifício antigo de alvenaria. A instalação original costuma ter várias décadas.

Atualizado 09/2026·12 min read·5 price list items
Instalação elétrica T0 - embutidos + aparelhagem
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Instalação elétrica T0 - embutidos + aparelhagemunid.1 500,00 €-
Instalação elétrica T1 - embutidos + aparelhagemunid.1 750,00 €-
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O que inclui a montagem e o acabamento num T0

Os eletricistas dividem este trabalho em duas fases, e entre elas entram outras especialidades.

A montagem, a chamada instalação em tosco, faz-se antes do reboco, dos estuques e do azulejo. O eletricista marca os percursos, abre os roços, fixa as caixas de aparelhagem e de derivação, coloca os tubos e prepara o local do quadro. No fim desta fase, das paredes só saem tubos e pontas de condutores.

O acabamento vem depois da pintura, com as paredes prontas. Montam-se os mecanismos e espelhos de interruptores e tomadas, ligam-se os disjuntores e o diferencial no quadro, preparam-se os pontos de luz e as saídas para placa, forno e termoacumulador, e toda a instalação é medida.

Num T0 há normalmente uma entrada ou pequeno hall, uma sala que também é quarto, uma cozinha ou kitchenette e uma casa de banho. Se o pacote inclui material, tapamento dos roços, montagem de candeeiros e o relatório de ensaios varia de empresa para empresa. Convém ler o orçamento linha a linha.

T0, T1, T2 e maiores: em que este pacote é diferente

No NUMIQ cada tamanho de apartamento tem a sua própria entrada. A contagem é por assoalhadas, ou seja, divisões habitáveis sem contar cozinha e casas de banho. Uma assoalhada corresponde a um T0, duas a um T1, e assim por diante. A diferença não está só nos metros de tubo. Com o número de divisões mudam também o quadro, o número de circuitos, o tempo e a organização da obra.

  • Uma assoalhada, T0 (esta entrada): área pequena, percursos curtos, uma só divisão habitável. O grosso do trabalho está na cozinha e na casa de banho, não na sala. O quadro é pequeno e os circuitos ficam geralmente à volta de uma dezena. Dois eletricistas fazem normalmente o tosco em poucos dias.
  • Duas assoalhadas, T1: há um quarto separado, com mais um circuito de iluminação e de tomadas. O quadro precisa de mais módulos e os percursos a partir da entrada ficam mais longos.
  • Três assoalhadas, T2: os circuitos repartem-se por divisões e zonas. O quadro maior torna-se a regra e começa a pesar a questão da potência contratada.
  • Quatro e cinco assoalhadas, T3 e T4: muitos circuitos, frequentemente duas casas de banho, cozinha maior, rede de dados em vários quartos. A obra é mais longa e sem um plano detalhado perde-se facilmente o controlo.

Um T0 tem uma particularidade: a cozinha concentra grande parte do consumo e das tomadas. Placa, forno, máquina da loiça, frigorífico, micro-ondas, chaleira e muitas vezes a máquina da roupa ficam em poucos metros. Por isso não se deve poupar nos circuitos próprios da cozinha só porque o apartamento é pequeno. Num estúdio com kitchenette na sala, convém pensar bem onde fica a bancada e onde fica a cama ou o sofá, porque muitas vezes a mesma parede serve os dois.

Na dúvida entre esta entrada e a de duas assoalhadas, decide o número real de divisões habitáveis. Um T0 com cozinha separada continua a ser um T0. A cozinha não conta como assoalhada, mesmo que leve mais tomadas.

Preparação: o que deve estar decidido antes da chegada do eletricista

Plano de tomadas, interruptores e pontos de luz

Na prática acontece muitas vezes o eletricista chegar a um apartamento vazio e o dono decidir os pontos diretamente na parede. Funciona, mas ajuda muito ter pelo menos um esboço de cada divisão:

  • onde fica a bancada, a que altura fica o tampo e onde ficam os eletrodomésticos,
  • onde ficam a cama, o sofá, a televisão e a secretária,
  • se a máquina da roupa vai para a casa de banho ou para a cozinha,
  • onde ficam os pontos de luz no teto e se se quer luz sob os armários, junto ao espelho ou comutada de dois lados,
  • se é preciso cabo de dados para a televisão e o router, intercomunicador ou campainha.

A cozinha deve estar desenhada pela loja de cozinhas antes da montagem. Uma tomada escondida atrás de um módulo ou a saída do forno do lado errado corrige-se mal depois, com roços em reboco acabado.

O prédio e a administração do condomínio

Num prédio nem tudo pertence à fração. A coluna montante, a caixa do contador no patamar e o quadro de entrada fazem parte do edifício ou da rede do distribuidor, e os contadores estão selados. Antes de começar convém falar com a administração do condomínio: saber quem pode cortar a alimentação à fração, que horários existem para trabalhos ruidosos e onde se deixa o entulho. Vale também perguntar se a coluna tem condutor de terra. Em muitos prédios antigos não tem, e isso resolve-se ao nível do condomínio, não dentro do apartamento.

Se a casa nova vai ter placa de indução, forno e termoacumulador a funcionar ao mesmo tempo, pode ser necessário aumentar a potência contratada. Isso trata-se com o comercializador de energia, nunca mexendo na caixa do contador.

O que deixar pronto no apartamento

O apartamento deve estar vazio e com acesso garantido. O eletricista costuma montar uma tomada provisória de obra junto ao quadro para as ferramentas. Convém saber por onde passam as canalizações de água e, se existir, de gás, para não as atingir ao abrir roços. Se sentir cheiro a gás, deve sair da casa, não ligar nem desligar interruptores ou aparelhos e telefonar para a linha de emergência do distribuidor de gás ou para o 112.

Como o trabalho decorre em obra

Retirar a instalação antiga

Primeiro o eletricista desliga a fração e confirma que não há tensão. Desmonta o quadro antigo, interruptores, tomadas e candeeiros. Os condutores antigos ou são arrancados dos tubos, ou desligados e deixados na parede quando os tubos estão esmagados ou o reboco se desfaz. O essencial é que nenhum condutor antigo fique ligado e que ninguém o use mais tarde por engano.

Marcação, roços e caixas

Os percursos fazem-se na vertical e na horizontal, nunca na diagonal. É uma questão de segurança: quem mais tarde furar a parede para pendurar uma prateleira sabe onde pode haver tubo. Os troços horizontais ficam normalmente perto do teto ou junto ao chão, os verticais por cima e por baixo das caixas. Os roços abrem-se com roçadora com aspiração, os furos das caixas com broca de coroa, e as caixas fixam-se com gesso ou argamassa. A altura das tomadas e dos interruptores combina-se antes e mantém-se igual em toda a casa.

Tubos, condutores e quadro

Em Portugal o habitual é embeber nas paredes tubo plástico próprio para instalações elétricas e enfiar depois os condutores isolados. Assim, um condutor danificado pode mais tarde ser substituído sem abrir a parede, desde que os tubos tenham curvas suaves e caixas de derivação acessíveis. Para iluminação usa-se em regra condutor de cobre de 1,5 mm², para tomadas 2,5 mm². A placa da cozinha tem normalmente circuito próprio com secção maior, conforme a potência indicada pelo fabricante. Têm também circuito próprio o forno, a máquina da loiça, a máquina da roupa e o termoacumulador, se existir.

A casa de banho trata-se pelos volumes à volta da banheira e do duche, onde não se podem colocar tomadas nem interruptores comuns. Estas regras vêm das regras técnicas das instalações elétricas de baixa tensão, que o eletricista conhece.

O quadro fica geralmente onde estava, perto da entrada, porque é aí que chega a alimentação. Na substituição monta-se uma caixa nova com módulos suficientes e alguma reserva. Lá dentro ficam os disjuntores de cada circuito e o interruptor diferencial, nos circuitos de tomadas normalmente com sensibilidade de 30 mA. Conforme o caso, junta-se proteção contra sobretensões. Antes de tapar os roços convém fotografar todas as paredes, para saber mais tarde por onde passam os tubos.

Acabamento

Depois do reboco, do azulejo e da pintura, o eletricista volta. Monta mecanismos e espelhos, prepara os pontos de luz e as saídas para placa, forno e termoacumulador, liga e identifica o quadro. Os candeeiros montam-se conforme o combinado: às vezes estão incluídos, outras vezes deixa-se só o ligador e os candeeiros ficam para depois.

Medições e ensaios

No fim a instalação é medida: resistência de isolamento, continuidade do condutor de proteção, resistência de terra, funcionamento do diferencial e polaridade das tomadas. Os resultados devem ficar num registo escrito entregue ao dono. Esse documento dá jeito ao vender o apartamento ou ao tratar de um sinistro com o seguro.

Paredes, estado do prédio e outros fatores que pesam no trabalho

Que tipo de parede existe

Nos prédios de estrutura em betão armado, as paredes divisórias são quase sempre de tijolo furado e abrem-se roços com facilidade. Já pilares, vigas e lajes não devem ser roçados em profundidade, sobretudo na horizontal, porque se enfraquece a estrutura e se atinge a armadura. Nos edifícios antigos aparecem paredes de alvenaria de pedra, duras e irregulares, e tabiques de madeira e estuque, frágeis e que racham com vibração. O eletricista escolhe então outros caminhos:

  • tubos existentes: se estiverem desobstruídos, os condutores novos enfiam-se nos tubos antigos,
  • pavimento: se o chão vai ser refeito, os tubos passam por baixo da betonilha e sobem só um troço curto na parede,
  • paredes de tijolo e pladur: trabalham-se com mais facilidade que o betão e a pedra,
  • tetos falsos e forras de pladur: na casa de banho e na cozinha escondem bem tubos e pontos de luz,
  • calha à vista: onde não há alternativa, resolve, embora não fique bonita.

O que facilita

  • apartamento vazio e pronto para obra pesada,
  • plano de cozinha e disposição de móveis definidos,
  • chão e rebocos refeitos ao mesmo tempo, para que os roços não estraguem nada acabado,
  • paredes de material que se roça bem,
  • alimentação da coluna em bom estado e com terra.

O que complica e alonga a obra

  • apartamento habitado ou cheio de mobília,
  • paredes de betão ou pedra onde é preciso procurar percursos alternativos,
  • azulejos ou estuques a preservar,
  • mudanças de última hora que obrigam a deslocar caixas já colocadas,
  • coluna sem terra ou subdimensionada, que depende do condomínio,
  • muitos pedidos especiais: vários circuitos de luz, fitas LED, dados em todas as paredes.

Ligação com as outras especialidades e prazos

O eletricista entra cedo na remodelação. A ordem habitual num T0 é: demolições, tosco elétrico, canalização de água e esgotos, paredes e tetos de pladur, reboco ou estuque, pavimento e azulejo, pintura, acabamento elétrico, montagem da cozinha e, por fim, medições.

Pontos a coordenar:

  • canalizador: as caixas junto à máquina da roupa e ao termoacumulador devem bater certo com as saídas de água,
  • ladrilhador: as caixas em zona de azulejo devem ficar alinhadas com a junta ou ao centro do mosaico,
  • loja de cozinhas: a altura do tampo e a posição dos eletrodomésticos definem as tomadas,
  • instalador de pladur: os tubos para tetos falsos e forras têm de estar colocados antes de fechar as placas,
  • pintor: deve trabalhar com as caixas tapadas e sem tirar os condutores do lugar.

O tosco num T0 leva normalmente dois a quatro dias de trabalho para dois eletricistas, conforme as paredes e a extensão. Entre a montagem e o acabamento passa o tempo de reboco, azulejo e pintura, muitas vezes várias semanas. O acabamento com medições ocupa geralmente um dia. Os roços tapam-se só depois de verificados os percursos, e o gesso precisa, segundo o fabricante, de algumas horas a um dia antes de se continuar.

Erros típicos e como aparecem mais tarde

  • Poucas tomadas na bancada: passado um ano cozinha-se com extensões por cima do tampo. Numa cozinha pequena convém haver tomadas acima do tampo em vários pontos.
  • Tudo no mesmo circuito: com forno, chaleira e máquina da roupa ligados, o disjuntor dispara. Circuitos próprios para os grandes consumidores evitam isso.
  • Emendas com a instalação antiga: ligar condutores novos a fios velhos com isolamento ressequido, ou a restos de alumínio, dá ligações que aquecem e podem causar incêndio. Na substituição completa a instalação antiga fica totalmente desligada.
  • Tomadas sem terra efetiva: a tomada tem o contacto de terra, mas atrás não há ligação. Só as medições o revelam.
  • Tomadas atrás dos armários: uma caixa que fica atrás da lateral de um módulo ou do frigorífico não serve para nada. Sem plano de cozinha acontece com facilidade.
  • Interruptor atrás da porta: se a porta abre para o lado do interruptor, é preciso procurá-lo atrás da folha. O sentido de abertura deve ser confirmado antes.
  • Quadro sem identificação: um ano depois ninguém sabe que disjuntor é o da casa de banho. A identificação dos circuitos faz parte da entrega.
  • Sem fotografias: ao furar para uma prateleira atinge-se um tubo. Fotografar os percursos antes do reboco custa quase nada.

Porque é que certos erros só aparecem mais tarde? Uma instalação nova acende e funciona à primeira. As fraquezas surgem com o uso real, por exemplo no inverno, quando o aquecedor, o forno e a máquina da roupa trabalham ao mesmo tempo.

Guia faça você mesmo: preparar o T0 e o plano de pontos

Toda a parte elétrica, incluindo ligações, quadro e qualquer trabalho com tensão, pertence ao eletricista. Mas há uma parte útil que o dono pode fazer em segurança e que poupa tempo e correções em obra:

  1. Esvaziar o apartamento e retirar quadros, prateleiras e cortinados das paredes.
  2. Pedir à loja de cozinhas o desenho com medidas, altura do tampo e posição dos eletrodomésticos.
  3. Desenhar a planta de cada divisão com a posição da cama, sofá, televisão e secretária.
  4. Marcar na planta cada tomada, interruptor e ponto de luz, e anotar os pontos comutados.
  5. Confirmar o sentido de abertura de todas as portas e corrigir a posição dos interruptores.
  6. Indicar na planta onde passam as canalizações de água e gás conhecidas.
  7. Rever o plano com o eletricista no local antes de abrir os roços.
  8. Fotografar todas as paredes com os tubos à vista antes do reboco e guardar as fotografias.

Verificação e receção do trabalho

Na receção convém pedir para ver o quadro e percorrer a casa divisão a divisão. Carregar no botão de teste do diferencial: deve desligar de imediato. Acender todas as luzes e experimentar os interruptores. Nas tomadas pode ligar-se um aparelho comum ou um testador de tomadas simples. Não se deve mexer no interior da instalação, isso é trabalho do eletricista.

  • o registo das medições e ensaios foi entregue por escrito,
  • o quadro tem todos os circuitos identificados e a identificação corresponde à realidade,
  • o diferencial reage ao botão de teste,
  • tomadas e interruptores estão bem fixos, direitos e à altura combinada,
  • cada luz acende de todos os pontos combinados,
  • placa, forno, máquina da loiça, máquina da roupa e termoacumulador têm saídas próprias,
  • na casa de banho não há tomadas nem interruptores nos volumes proibidos,
  • a instalação antiga não usada está desligada e isolada,
  • existem fotografias dos percursos antes do reboco,
  • os cabos de dados e de antena estão terminados e identificados,
  • a zona à volta das caixas e do quadro está rematada e limpa.

Perguntas frequentes

Nem sempre, mas numa instalação antiga sem terra, com quadro de fusíveis e fios ressequidos, a substituição completa é em regra mais sensata do que remendos. Os equipamentos atuais exigem mais da instalação. Numa remodelação total, trocar tudo antes do reboco é o caminho mais simples.

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