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Revestimento de paredes com rede de fibra de vidro e argamassa

Revestir as paredes com rede de fibra de vidro e argamassa cria a chamada camada de base armada: um barramento fino, reforçado com rede, que fica entre o isolamento térmico e o reboco final. Faz-se sempre que se aplica um sistema ETICS (o conhecido capoto) e, por vezes, também sobre rebocos antigos fissurados, antes de um novo acabamento.

Atualizado 09/2026·5 min read·13 price list items
Preço do trabalho padrão
10,70 €/ m²
Intervalo indicativo
4,76 € - 33,30 €
Apartamento de 60 m²
1605,00 €
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Isolamento térmico de fachadas13 itens

Todos os preços apresentados não incluem IVA. O preço da mão de obra inclui só o trabalho. O preço com material acrescenta material auxiliar (cola, primário, mástiques, fixações). Azulejos, pavimentos, soalhos, tinta e loiças sanitárias são escolhidos e comprados pelo cliente e não estão incluídos.

ArtigoUnidadePreço / un.QuantidadeTotal
Isolamento
Aplicação de malha de fibra de vidro em paredes + adesivom²-
Isolamento de parede exterior com poliestireno (colagem total)m²28,54 €-
Isolamento de parede exterior com lã mineral (incl. fixações)m²33,30 €-
Instalação de sistema ETICS até 20 cmm²15,46 €-
Isolamento de ombreiras de janelas (XPS)ml3,57 €-
Isolamento de tetos/sótãosm²11,90 €-
Instalação de barreira de vaporm²4,76 €-
Reboco exterior fino (raspado 2 mm)m²-
Instalação de perfil de canto em PVCml1,30 €-
Instalação de perfil APU com malhaml0,95 €-
Perfil de pingadeira para janelasml1,30 €-
Isolamento de espuma projetada (célula fechada)m²-
Isolamento de espuma projetada (célula aberta até 25 cm)m²-
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Como se faz a camada armada, passo a passo

O trabalho faz-se em duas fases. A primeira camada de argamassa serve para assentar a rede, a segunda para a cobrir e regularizar a superfície. A espessura total costuma rondar os 3 a 5 mm, conforme o sistema.

  1. Verificar o suporte: as placas de isolamento têm de estar bem fixas e não podem ceder quando se carrega nelas. As placas soltas voltam a ser coladas ou reforçam-se com buchas, e os desníveis entre placas são lixados.
  2. Colocar os perfis: cantoneiras com rede nas esquinas, perfis de ligação à caixilharia nas janelas e portas e perfil de arranque na base da fachada. Estes perfis garantem arestas direitas e protegem os pontos mais sujeitos a esforço.
  3. Aplicar os reforços diagonais: nos cantos das janelas e portas colam-se, a 45°, tiras de rede com cerca de 30 × 20 cm. Estas tiras absorvem as tensões que, de outra forma, abrem fissuras oblíquas a partir dos cantos dos vãos.
  4. Aplicar a primeira camada de argamassa: com talocha dentada, de cima para baixo e em zonas pequenas, para que a argamassa não seque antes de a rede ser colocada.
  5. Embeber a rede: as faixas verticais, com sobreposição de pelo menos 10 cm, são pressionadas com a talocha do centro para as extremidades, sem pregas nem bolhas. A rede deve ficar totalmente coberta e mais próxima da face exterior, nunca encostada ao isolamento.
  6. Deixar secar e aplicar a segunda camada: com talocha lisa, em camada fina, com passagens longas e ligeiramente sobrepostas. A cerca de 20 °C, é normal esperar aproximadamente um dia entre camadas, mais tempo com frio e humidade. Alguns sistemas admitem a aplicação "fresco sobre fresco"; quem decide é a ficha técnica do fabricante.

Antes do reboco final, a camada armada tem de estar completamente seca, o que leva normalmente alguns dias, conforme o tempo e as indicações do fabricante. Segue-se o primário próprio para o reboco de acabamento.

Rede e argamassa: o que escolher e porquê

A rede para fachada tem de ser resistente aos álcalis. A argamassa cimentícia é alcalina, e uma rede comum, pensada para interiores, degrada-se aos poucos dentro dela. Por fora nada se nota, mas passados alguns anos a camada fica praticamente sem reforço. Nas superfícies correntes usa-se rede com uma gramagem de cerca de 145 a 160 g/m². Na base da fachada e nas zonas sujeitas a pancadas acrescenta-se uma rede reforçada, muitas vezes chamada rede blindada.

As argamassas distinguem-se sobretudo pela composição:

  • argamassas cimentícias modificadas com polímeros são as de uso corrente e aliam boa aderência a alguma elasticidade,
  • argamassas cimentícias simples são resistentes mas menos elásticas, e adequam-se mais a suportes minerais,
  • barramentos em pasta (de base dispersão) vêm prontos a aplicar, sem mistura com água, e usam-se sobretudo em certos sistemas e em áreas pequenas.

A regra essencial: rede, argamassa, perfis e reboco devem pertencer ao mesmo sistema ETICS certificado. O sistema é ensaiado como um todo. Quando se misturam componentes de fabricantes diferentes, nenhum deles responde pelo conjunto e a garantia perde-se.

O que facilita e o que complica o trabalho

Uma parede grande, lisa, sem vãos e de acesso fácil avança depressa. Pelo contrário, o trabalho torna-se mais demorado, e por isso mais caro, quando há:

  • muitas janelas, portas e esquinas, porque cada uma precisa de perfis e reforços,
  • fachada recortada, com marquises, reentrâncias, cornijas ou molduras de vãos,
  • suporte irregular ou solto, que tem de ser reparado primeiro,
  • altura e acesso difícil, com necessidade de andaime, de o mudar de sítio ou pouco espaço junto ao vizinho,
  • tempo desfavorável, que obriga a interromper os trabalhos ou a proteger a fachada com rede de andaime,
  • área pequena, em que a preparação e a limpeza pesam bastante no tempo total.

Num prédio em condomínio, a fachada é parte comum, por isso convém tratar do assunto com a administração do condomínio antes de contratar o trabalho.

Erros que só aparecem depois do primeiro inverno

Uma fachada acabada de fazer parece quase sempre bem. Os problemas costumam surgir após as primeiras chuvas fortes, as primeiras geadas ou um verão de muito sol. Os erros típicos são estes:

  • pouca argamassa por baixo da rede, que assim não adere em alguns pontos e forma empolamentos,
  • sobreposições curtas ou inexistentes, que deixam a junta sem reforço, e é aí que a fissura aparece,
  • falta de reforços diagonais nos cantos dos vãos, origem das fissuras oblíquas,
  • rede encostada ao isolamento ou, pelo contrário, à vista na superfície,
  • argamassa com água a mais, o que reduz a resistência e a aderência,
  • segunda camada sobre a primeira ainda húmida, com a humidade presa a provocar bolhas,
  • aplicação ao sol direto, à chuva ou abaixo de +5 °C, quando a argamassa não cura como deve.

Porque é que o tempo conta tanto? Numa parede escaldante, a água da argamassa evapora antes de ela ganhar presa e a camada fica fraca. Em Portugal, isto acontece muito nas fachadas viradas a sul e a poente durante o verão. Com frio, a presa quase para, e uma geada noturna, frequente no interior norte e centro, pode danificar a camada. Por isso trabalha-se normalmente entre cerca de +5 e +25 °C, de preferência à sombra e sem vento forte. Nas zonas costeiras, o vento e a maresia secam a superfície mais depressa. A camada fresca deve ficar protegida pela rede do andaime.

Como verificar o trabalho final

A verificação deve ser feita antes do reboco de acabamento, porque depois corrigir defeitos dá muito mais trabalho. Na receção convém confirmar:

  • a rede não está visível nem se sente ao passar a mão pela superfície,
  • a superfície está plana e uma régua com pelo menos 2 m não mostra desvios maiores do que o fabricante admite para o reboco escolhido,
  • não há bolhas, empolamentos, rede ondulada nem marcas de talocha,
  • todos os cantos de janelas e portas têm reforços diagonais, de preferência registados em fotografias durante a obra,
  • as esquinas estão direitas e vivas, com cantoneiras colocadas,
  • os perfis de ligação à caixilharia estão inteiros, sem danos e bem unidos ao caixilho,
  • a base da fachada está reforçada com rede reforçada,
  • a camada está seca, firme e sem fissuras,
  • o empreiteiro sabe indicar o sistema ETICS utilizado e entrega as fichas técnicas dos materiais.

Perguntas frequentes

Praticamente todos os fabricantes de sistemas recomendam duas camadas, ou um método que garanta a rede bem coberta e a superfície regularizada. Com uma só camada, a rede fica muitas vezes pouco ou mal coberta e a fachada fica mais sujeita a microfissuras, sobretudo nas juntas e à volta dos vãos.

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