Orçamente o trabalho pelo preçário
Introduza as quantidades e o preço é recalculado de imediato. Nível de preços: Portugal. Pode ajustar os valores no seu preçário.
Todos os preços apresentados não incluem IVA. O preço da mão de obra inclui só o trabalho. O preço com material acrescenta material auxiliar (cola, primário, mástiques, fixações). Azulejos, pavimentos, soalhos, tinta e loiças sanitárias são escolhidos e comprados pelo cliente e não estão incluídos.
| Artigo | Unidade | Preço / un. | Quantidade | Total |
|---|---|---|---|---|
| Instalações de gás | ||||
| Abertura de roços para tubagem de gás - betão | ml | 43,75 € | - | |
| Instalar válvula de esfera de gás | unid. | 18,75 € | - | |
| Ligar fogão a gás | unid. | 68,75 € | - | |
| Instalar e ligar caldeira a gás | unid. | - | ||
| Regular e afinar caldeira | unid. | - | ||
| Obturar tubagem de gás | unid. | - | ||
| Alterar e religar tubagem de gás | unid. | 161,25 € | - | |
| Instalar termoacumulador de águas quentes sanitárias | unid. | - | ||
| Teste de pressão da conduta de gás | unid. | 112,50 € | - | |
| Inspeção de aparelho a gás (verificação de segurança) | unid. | - | ||
| Instalar detetor de fugas de gás | unid. | 43,75 € | - | |
| Relocalizar contador de gás | unid. | 187,50 € | - | |
Quando faz sentido um roço em betão e quando é melhor evitar
A tubagem de gás embutida na parede fica com um aspeto limpo e não atrapalha a montagem da cozinha. Mas o betão não é um material onde se possa cortar em qualquer lado. Antes de optar pelo roço, convém responder a algumas perguntas.
- A parede é estrutural? Na maioria dos edifícios portugueses a estrutura é de betão armado com paredes de tijolo entre pilares e vigas. O betão aparece sobretudo nos pilares, nas vigas, nas paredes das caixas de escada e de elevador e, em construções mais recentes, em paredes resistentes inteiras. Quase sempre faz parte da estrutura. Um roço reduz a secção e pode atingir os varões.
- É parede ou laje? Em lajes, sobretudo pré-esforçadas ou de vigotas pré-esforçadas, por regra não se abre roço. A armadura pré-esforçada está sob tensão e qualquer dano é um problema estrutural sério.
- O traçado é horizontal? Os roços horizontais enfraquecem mais uma parede resistente do que os verticais. Roços horizontais longos em betão só devem ser feitos depois de um engenheiro de estruturas analisar a situação.
- Não basta passar à vista? Muitas vezes a tubagem de gás pode passar à superfície, por trás dos móveis de cozinha, num forro de pladur ou numa calha própria. Em paredes de betão esta é frequentemente a escolha mais sensata.
Na prática acontece com frequência o cliente querer o roço exatamente onde o estúdio de cozinhas o desenhou e, já em obra, perceber-se que o traçado atravessa um pilar ou uma parede de núcleo do prédio. Por isso o traçado deve ser definido por quem projeta a instalação de gás e, nos elementos estruturais, também por um engenheiro de estruturas, e não pela equipa que pega na roçadora.
Como se abre um roço em betão, passo a passo
Marcação do traçado
O traçado passa do projeto de gás para a parede, a lápis ou com fio de marcação. Os roços para gás seguem, por regra, linhas verticais e horizontais, nunca diagonais, para que daqui a alguns anos se saiba onde está a tubagem. Marca-se a largura do roço de acordo com o diâmetro do tubo, com folga para um eventual revestimento de proteção e para o enchimento.
Verificar o que está dentro da parede
Antes do primeiro corte, a parede é percorrida com um detetor de metais e de cabos. Procuram-se armaduras, cabos elétricos, tubos de água e de aquecimento e, sobretudo, tubagem de gás existente. Se houver uma rede de gás antiga na parede, tem de ser cortada e verificada por um técnico de gás credenciado antes de qualquer trabalho. Numa parede com gás sob pressão não se corta nem se pica.
Corte das margens com roçadora
As margens do roço são cortadas com uma roçadora de dois discos diamantados, que fazem os dois cortes paralelos de uma só vez. Para betão usam-se discos próprios para materiais duros, e não discos universais para tijolo. A roçadora está ligada a um aspirador industrial com filtragem adequada a pó mineral. Em betão muito duro, os cortes fazem-se por vezes em duas ou três passagens, para o disco não aquecer e a máquina não forçar.
Remoção do miolo
O betão entre os cortes é retirado com um martelo demolidor com ponteiro chato ou com um escopro próprio para roços. Trabalha-se por troços curtos, para as margens não lascarem e não surgirem fissuras à volta. Picar à mão sem cortes prévios não se usa em betão: as margens ficam rasgadas e o roço demasiado largo.
Quando aparece um varão
Se surgir armadura, o trabalho para nesse ponto. O varão não se corta nem se dobra. Ou se desvia o traçado, ou o roço fica menos fundo naquele sítio e a tubagem segue outro caminho. A decisão cabe ao engenheiro ou a quem projeta a instalação, não a quem tem a rebarbadora na mão.
Acabamento e limpeza
O fundo do roço é regularizado para que o tubo fique direito, sem ser forçado a dobrar em lado nenhum. O roço é soprado ou aspirado, retiram-se pedaços soltos e pó. No fim verifica-se a profundidade em todo o comprimento. Assim preparado, o roço passa para o técnico de gás.
Betão ou tijolo: o que distingue este trabalho
Na tabela de preços existe um item separado para roços de gás em tijolo. À primeira vista é o mesmo trabalho. Na realidade, quase tudo é diferente, exceto a forma final do roço.
- Dureza e ritmo: em betão o trabalho avança bastante mais devagar, muitas vezes várias vezes mais do que em tijolo furado ou em blocos de betão celular. Os discos gastam-se mais depressa e o martelo tem de ser mais potente.
- Armaduras: a alvenaria de tijolo, por regra, não tem armadura. O betão quase sempre tem. Por isso, em betão, a deteção é um passo obrigatório e o traçado ajusta-se ao que se encontra.
- Estrutura: numa parede divisória de tijolo o roço raramente levanta problemas. Num pilar, numa viga ou numa parede de betão trata-se de uma intervenção na estrutura que pode exigir a análise de um engenheiro.
- Margens: o tijolo furado parte com facilidade e o roço tende a alargar. O betão segura melhor as arestas, mas com golpes descuidados fissura em profundidade.
- Pó e ruído: o pó de betão tem mais sílica fina e o corte é mais ruidoso. Aspiração e máscara de proteção respiratória são, no betão, uma necessidade e não uma recomendação.
- Equipamento: em tijolo basta uma roçadora comum e um martelo leve. Em betão são precisos discos diamantados para materiais duros, um martelo mais forte e, por vezes, corte a húmido.
Num típico apartamento português é comum o mesmo traçado passar por tijolo e depois esbarrar num pilar. Nesse caso o orçamento divide-se pelo material real de cada troço. Convém sabê-lo de antemão: se a estimativa falhar, o trabalho em betão prolonga-se e o calendário das outras especialidades desliza. Muitas vezes a solução mais simples é contornar o pilar pela parede de tijolo ao lado.
Preparação antes de a equipa chegar
A maior parte dos atrasos em obra não vem do betão em si, mas de coisas que não estavam preparadas. Antes do dia dos roços convém verificar o seguinte.
- Projeto de gás: o traçado, o diâmetro e o material da tubagem (cobre, multicamada ou aço) devem estar definidos. Sem isso a equipa não sabe que largura e profundidade dar ao roço.
- Gás cortado: se já existe rede de gás no compartimento, o técnico de gás deve fechá-la e deixá-la em segurança antes do início. Com garrafa de butano ou propano, a garrafa sai do local.
- Eletricidade e água: saber por onde passam cabos e tubos na parede. O ideal é ter as telas finais antigas ou, pelo menos, fotografias de uma remodelação anterior.
- Espaço livre: móveis fora, pavimento protegido, portas para as outras divisões fechadas com película. O pó fino de betão passa por frinchas muito pequenas.
- Corrente no local: roçadora e martelo precisam de uma tomada a funcionar, num circuito cujo disjuntor não dispare no arranque da máquina.
- Remoção do entulho: combinar quem leva e encaminha o material demolido.
Num prédio em condomínio convém consultar o regulamento do condomínio. Os trabalhos ruidosos costumam estar limitados a certas horas, e picar betão é das tarefas mais ruidosas de uma remodelação. Avisar os vizinhos com antecedência evita muitos conflitos.
O que torna o trabalho mais fácil e o que o complica
O preço é ao metro linear, mas a dificuldade de cada parede varia. Estas circunstâncias decidem se o trabalho corre bem ou devagar.
Facilita o trabalho
- roços verticais numa parede livre e acessível,
- betão sem armadura densa na zona do roço,
- divisão vazia, sem móveis nem acabamentos feitos,
- projeto claro e traçado marcado antes da chegada da equipa,
- troços contínuos mais longos em vez de muitos pedaços curtos.
Complica o trabalho
- betão muito resistente, antigo ou de alta resistência, que gasta os discos depressa,
- armadura densa, como nos pilares, que obriga a mudar o traçado e a trabalhar aos bocados,
- roços junto ao teto ou no próprio teto, onde se trabalha acima da cabeça,
- muitos cantos, derivações e troços curtos,
- apartamento habitado, onde é preciso proteger tudo do pó com muito cuidado,
- horário de trabalho limitado no prédio,
- azulejo ou mosaico já aplicado, que tem de ser retirado primeiro.
Se a parede tiver azulejo antigo ou reboco espesso, a remoção costuma ser um trabalho à parte. Convém perguntar se está incluída ou se conta como outro item.
Articulação com o técnico de gás, o engenheiro e outras especialidades
O roço para gás não é um trabalho acabado por si. É um passo intermédio que tem de encaixar no que vem antes e no que vem depois.
Antes de abrir o roço
Quem projeta a instalação de gás define o traçado, o engenheiro de estruturas avalia a intervenção nos elementos de betão e o eletricista deve saber por onde vão passar os seus cabos. A tubagem de gás não pode ficar no mesmo roço que cabos elétricos, e entre ambos mantém-se um afastamento de acordo com as normas NP EN e as regras técnicas aplicáveis ao gás. As distâncias concretas são definidas no projeto.
Instalação da tubagem
Só um técnico de gás credenciado coloca a tubagem no roço. Dentro da parede a tubagem segue sem ligações desmontáveis, e válvulas e torneiras de corte ficam acessíveis. Conforme o material do tubo, usa-se proteção contra a corrosão, e a tubagem deve poder dilatar ligeiramente com as variações de temperatura.
Ensaio de estanquidade antes de tapar
O roço não pode ser tapado antes de o técnico fazer o ensaio de estanquidade e a tubagem estar verificada. É neste ponto que se erra com mais frequência em obra: o pedreiro tem prazo, o técnico de gás ainda não veio, e o roço é tapado. Mais tarde volta-se a picar para fazer o ensaio.
Enchimento e acabamentos
O roço é cheio com argamassa ou com o material indicado pelo técnico de gás para o tipo de tubo. Materiais à base de gesso, por regra, não se usam com tubagem de gás, porque podem favorecer a corrosão de tubos metálicos. Só depois entram o reboco, o azulejo do ladrilhador, o pintor e a montagem da cozinha. Vale a pena fotografar o roço com o tubo instalado e uma fita métrica encostada à parede: daqui a uns anos, na hora de furar, essa fotografia faz toda a diferença.
Erros típicos e como se manifestam mais tarde
- Roço pouco fundo: o tubo fica quase à superfície, o reboco por cima é fino e fissura. Mais tarde aparece uma fissura capilar exatamente na linha do tubo.
- Varão cortado: à vista não se nota nada, mas o pilar ou a parede ficam enfraquecidos. Num prédio, isso pode ser um problema para o edifício inteiro e não só para a fração.
- Roço numa laje pré-esforçada: uma intervenção grave na estrutura, difícil de corrigir.
- Roços na diagonal: passados uns anos ninguém sabe por onde passa a tubagem e há risco de a furar.
- Margens rasgadas: o roço picado sem corte prévio fica largo e irregular, o enchimento leva muito material e tende a abater.
- Tapar antes do ensaio: é preciso reabrir o roço, e trabalho e material pagam-se duas vezes.
- Gás e eletricidade demasiado juntos: o afastamento não cumprido dá problemas na verificação da instalação e é um risco de segurança.
- Pouca proteção contra o pó: pó de betão em toda a casa, nas frações vizinhas e nas partes comuns. Além da limpeza, é uma questão de saúde: a sílica fina irrita os pulmões.
Se durante a obra ou em qualquer altura se sentir cheiro a gás, não se deve mexer em interruptores nem usar chama. Convém abrir as janelas, sair do local e ligar para a linha de emergência do distribuidor de gás, indicada na fatura, ou para o 112.
Quanto tempo demora e como verificar o roço acabado
O ritmo em betão depende da resistência do material, das armaduras, do acesso e do número de cantos. Em geral, alguns metros de roço numa cozinha fazem-se num dia de trabalho. Em betão duro com armadura ou a trabalhar acima da cabeça pode demorar mais. Abrir o roço não tem tempo de secagem, mas é preciso contar com a limpeza, a vinda do técnico de gás, o ensaio e só depois o enchimento. A argamassa no roço precisa normalmente de alguns dias até poder levar reboco. O tempo exato é o indicado pelo fabricante.
O que observar na verificação
- Traçado: corresponde ao projeto, os roços são verticais e horizontais, sem curvas desnecessárias.
- Profundidade: igual em todo o comprimento, o tubo cabe com a proteção e sobra espaço para o enchimento.
- Fundo: direito, sem saliências onde o tubo assente apenas num ponto.
- Margens: limpas, sem fissuras a avançar para dentro da parede.
- Armadura: nenhum varão cortado ou dobrado. Se algum ficou à vista, o engenheiro ou o projetista deve saber.
- Limpeza: roço aspirado, sem pó nem pedaços soltos.
Uma régua de pedreiro direita ou um nível encostado à parede ajuda muito: percebe-se logo se a profundidade varia nalgum ponto.
Lista de verificação na receção do trabalho
- o traçado dos roços corresponde ao projeto de gás,
- os roços são verticais e horizontais, sem troços na diagonal,
- profundidade e largura chegam para o tubo e para o enchimento,
- as margens estão direitas e sem fissuras à volta,
- nenhum varão foi cortado, e qualquer armadura exposta está registada e foi comunicada,
- não há cabos elétricos nem outras redes dentro do roço,
- o roço está limpo e pronto para receber a tubagem,
- o entulho foi retirado e o espaço ficou arrumado,
- as divisões vizinhas e as partes comuns não ficaram com pó,
- está combinado quando vem o técnico de gás e quando se faz o ensaio de estanquidade,
- o roço só é tapado depois de a tubagem ser ensaiada e dada como conforme.
Perguntas frequentes
Não se recomenda. Trata-se de mexer num elemento de betão muitas vezes estrutural, com risco de danificar armaduras, cabos elétricos e gás existente. Além disso, o técnico de gás vai querer um roço que corresponda ao projeto. O melhor é deixar o trabalho a uma equipa com experiência e equipamento para betão.
Em regra deve evitar-se. Os pilares têm armadura densa e suportam o edifício, por isso qualquer roço só deve ser feito depois de um engenheiro de estruturas o analisar. Quase sempre é mais simples desviar o traçado pela parede de tijolo ao lado ou passar a tubagem à vista nesse ponto.
O trabalho para nesse ponto e o varão não pode ser cortado. O traçado é desviado ou a tubagem segue outro caminho naquele troço. A solução deve ser decidida por quem projetou a instalação ou pelo engenheiro.
O betão é muito mais duro, tem armaduras e gasta discos e escopros mais depressa. As margens têm de ser cortadas com cuidado, em várias passagens, e quando aparece armadura o método muda. Por isso o betão tem um item próprio na tabela, diferente do tijolo.
Não. Gás e eletricidade seguem em separado, com um afastamento definido pelas normas e regras técnicas do gás. As distâncias exatas constam do projeto e são confirmadas na verificação da instalação.
Só depois de o técnico de gás instalar a tubagem, fazer o ensaio de estanquidade e confirmar que está tudo em ordem. Tapar antes significa ter de voltar a abrir o roço.
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