Remodelação da casa de banho e orçamento: como medir e fazer as contas

Equipa NUMIQPublicado: Atualizado: 13 min
Proprietário a medir com uma fita métrica a parede de uma casa de banho antiga antes da remodelação, apontando as medidas num caderno
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O empreiteiro chega, olha à volta, acena com a cabeça e diz um número. E nós ficamos sem saber se é bom ou mau. Este guia mostra como medir e fazer as contas à casa de banho, para que, quando receber o orçamento, saiba exatamente o que está a ler.

Índice do artigo
  1. Em resumo
  2. Porque vale a pena fazer as contas antes de chamar os profissionais
  3. O que medir na casa de banho
  4. Área do pavimento
  5. Área de azulejo nas paredes
  6. Comprimento de cantos e arestas
  7. Pontos de água, esgoto e eletricidade
  8. Aberturas e atravessamentos
  9. Guia para quem gosta de pôr as mãos na massa: como medir a casa de banho
  10. Como calcular o desperdício de azulejo e mosaico
  11. Lista de artigos por especialidade
  12. Demolição e desmontagem
  13. Água e esgoto
  14. Instalação elétrica
  15. Trabalhos de pedreiro
  16. Impermeabilização
  17. Azulejos e mosaicos
  18. Loiças sanitárias e acessórios
  19. Mão de obra, materiais auxiliares e materiais principais
  20. O que costuma faltar nos orçamentos
  21. Como comparar dois orçamentos para a casa de banho
  22. As mesmas quantidades
  23. O mesmo âmbito
  24. Unidades de medida
  25. À hora ou por artigo
  26. Margem para surpresas em casas antigas
  27. Como fazer o orçamento da casa de banho no NUMIQ
  28. Artigos relacionados

Em resumo

O orçamento de uma casa de banho não nasce de uma estimativa a olho, nasce de medições. Meça o pavimento, as paredes, os cantos e as aberturas e conte todos os pontos de água, esgoto e eletricidade. Depois, divida os trabalhos por especialidade e separe a mão de obra dos materiais. Só com uma lista destas consegue comparar dois orçamentos para a casa de banho sem estar a comparar alhos com bugalhos.

Porque vale a pena fazer as contas antes de chamar os profissionais

Porque, de outra forma, está a jogar um jogo em que só um dos jogadores conhece as regras. O empreiteiro sabe quantos metros de azulejo tem à frente. O dono da casa não. Quando mede a casa de banho por conta própria, a conversa muda por completo. Deixa de pedir um preço e passa a perguntar por artigos concretos.

Tem também um efeito prático. Fica mais fácil encomendar o material, percebe logo se alguém está a contar o dobro da área e consegue pensar com calma onde poupar e onde é melhor não o fazer. E mais uma coisa: os profissionais gostam de trabalhar para quem sabe o que quer. Não é um cliché, é tempo poupado para os dois lados.

Se a dúvida é como calcular a remodelação de uma casa de banho sem experiência nenhuma, a resposta é simples. Uma fita métrica, papel, um lápis e uma tarde tranquila. A matemática da escola primária chega e sobra.

Antes de começar as contas, trate da parte burocrática. Se a sua obra precisa de algum tipo de comunicação ou licenciamento, quem lhe sabe dizer é a câmara municipal, por isso o melhor é perguntar com antecedência. Num prédio, informe a administração do condomínio e confirme o que diz o regulamento do condomínio, sobretudo se for preciso mexer nas colunas montantes ou nas canalizações comuns.

O que medir na casa de banho

Mais vale medir duas vezes. As paredes antigas raramente são direitas ou estão no esquadro, por isso a mesma parede pode ter uma medida em cima e outra em baixo. Nas contas, use sempre a maior.

Área do pavimento

Comprimento vezes largura. Se a casa de banho tiver um recanto ou forma de L, divida-a em retângulos e some as áreas. Meça o pavimento todo, incluindo o que está debaixo da banheira, se esta for para demolir e substituir. É a partir do pavimento que se calcula o mosaico, a betonilha de regularização, o primário e a impermeabilização.

Área de azulejo nas paredes

A fórmula base é simples: perímetro da divisão vezes altura do azulejo, menos a porta e a janela. O perímetro é a soma dos comprimentos de todas as paredes. A altura do azulejo é a altura até onde quer as paredes revestidas, não necessariamente a altura do teto. Há quem revista até ao teto, há quem pare à altura do aro da porta e há quem só revista a zona do duche e do lavatório.

Atenção às áreas escondidas. A parede falsa da estrutura para sanita suspensa, o revestimento da frente da banheira, uma prateleira em alvenaria ou um nicho acrescentam metros que à primeira vista não se veem. Calcule-os à parte e some-os.

Comprimento de cantos e arestas

Os cantos medem-se em metros lineares. São precisos para as bandas de impermeabilização, o silicone e os perfis de canto. Conte os cantos verticais (altura do azulejo vezes o número de cantos), o canto entre parede e pavimento (mais ou menos o perímetro do pavimento menos a porta) e o contorno da banheira ou da base de duche. As esquinas exteriores, onde o azulejo se encontra numa aresta, medem-se à parte. Aí levam perfis ou o azulejo é cortado em meia-esquadria.

Pontos de água, esgoto e eletricidade

Aqui não se mede, conta-se à unidade. Cada equipamento tem os seus pontos. O lavatório precisa de água fria, água quente e esgoto. A máquina de lavar roupa, de água fria e esgoto. A sanita, de água fria e esgoto. O duche ou a banheira, de água quente, água fria e esgoto. Na eletricidade, conte as tomadas, os pontos de luz, os interruptores, o extrator, o termoacumulador e, se for o caso, o toalheiro elétrico.

Aberturas e atravessamentos

Porta, janela, grelha de ventilação, tampa de visita às colunas montantes. Aponte as medidas de cada uma. As aberturas descontam-se da área de azulejo, mas os vãos da janela e da porta, pelo contrário, acrescentam azulejo. As aberturas pequenas, até cerca de meio metro quadrado, normalmente não se descontam, porque dão mais trabalho à volta, não menos.

Guia para quem gosta de pôr as mãos na massa: como medir a casa de banho

  1. Medir o comprimento e a largura do pavimento em dois sítios e apontar a medida maior.
  2. Calcular a área do pavimento e, numa planta irregular, dividi-la em retângulos.
  3. Medir todas as paredes, somá-las para obter o perímetro e multiplicar pela altura do azulejo.
  4. Descontar a área da porta e da janela, somar os vãos, a parede falsa e a frente da banheira.
  5. Medir os cantos verticais, o canto junto ao pavimento e o contorno da banheira em metros lineares.
  6. Contar os pontos de água, de esgoto e os pontos elétricos por equipamento.
  7. Fazer um esboço simples com as medidas e a posição dos equipamentos.
  8. Acrescentar o desperdício à área de azulejo e de mosaico e arredondar para caixas inteiras.

O esboço não tem de ser uma obra de arte. Basta que o profissional perceba onde fica a porta, onde está a coluna montante e onde quer o lavatório. Tire-lhe uma fotografia e envie-a junto com as fotos da casa de banho. Poupa uma visita escusada.

Como calcular o desperdício de azulejo e mosaico

O azulejo corta-se. Os pedaços das extremidades, à volta dos tubos e nos cantos acabam no entulho. Por isso, nunca compre exatamente a quantidade que lhe deu a medição.

Como referência, numa colocação direita com formato comum, conta-se normalmente com cerca de dez por cento de desperdício. Numa colocação na diagonal, em espinha ou com formato grande, o desperdício sobe, para uns quinze por cento e às vezes mais. O formato grande tem menos juntas, é verdade, mas cada corte mal feito sai mais caro e muitas vezes os restos já não servem para nada. Uma casa de banho pequena com muitos cantos, nichos e atravessamentos também aumenta o desperdício, porque a proporção de peças cortadas é maior.

Um número mais certo quem lho dá é o ladrilhador, quando vir o formato e o tipo de colocação. Às vezes, o fabricante ou a loja também indicam o desperdício recomendado. De resto:

  • Arredonde o resultado para caixas inteiras, normalmente as caixas não se vendem à peça.
  • Compre tudo do mesmo lote de fabrico, porque o tom pode variar de lote para lote.
  • Guarde algumas peças para reparações futuras. Daqui a dez anos já não vai encontrar o mesmo azulejo.
  • Decorações e listelos contam-se à unidade ou em metros lineares, não por área.

Se quiser saber mais sobre o que implica a colocação propriamente dita, veja os trabalhos de ladrilhador e os respetivos artigos.

Lista de artigos por especialidade

A remodelação de uma casa de banho não é um único trabalho. São várias especialidades que se vão revezando numa ordem certa. Quando as discrimina, percebe de onde vem cada parte do preço. Como os trabalhos se sucedem no tempo é explicado no artigo sobre a remodelação da casa de banho semana a semana.

Demolição e desmontagem

Desmontagem das loiças sanitárias, picagem do azulejo e do mosaico, eventualmente a demolição de um núcleo de casa de banho pré-fabricado, se existir, e ainda o transporte e a remoção do entulho. O âmbito e as unidades de medida estão nos artigos de trabalhos de demolição. O entulho conta-se pelo volume ou pelo número de contentores, não a olho.

Água e esgoto

Novas canalizações de água fria e quente, esgotos, pontos para os equipamentos, válvulas, ligação à coluna montante e ensaio de pressão. Os artigos estão bem discriminados nos trabalhos de canalização. Se houver uma caldeira ou um esquentador a gás na casa de banho, a instalação de gás só pode ser mexida por um técnico de gás credenciado.

Instalação elétrica

Novos circuitos, tomadas, pontos de luz, extrator, alimentação do termoacumulador e verificação final da instalação. A instalação elétrica só pode ser feita por um eletricista habilitado e credenciado. A discriminação está nos artigos de trabalhos de eletricidade.

Trabalhos de pedreiro

Regularização das paredes, rebocos, parede falsa em gesso cartonado, tapamento de roços, betonilha de regularização do pavimento e, se for preciso, ajuste do vão da porta.

Impermeabilização

Primário, membrana impermeabilizante, bandas para os cantos e golas para os atravessamentos. Calcula-se pela área e pelos metros lineares que já mediu. O artigo é a impermeabilização à volta da banheira, do lavatório e na zona do duche.

Azulejos e mosaicos

Assentamento do azulejo e do mosaico, betume de juntas, perfis, cortes e acabamento das arestas, silicone nos cantos.

Loiças sanitárias e acessórios

Montagem do lavatório, da sanita, da banheira ou do duche, das torneiras, do espelho, do móvel, dos suportes, dos cabides e do toalheiro. Cada peça conta à parte, por isso compensa ter uma lista exata, unidade a unidade.

Mão de obra, materiais auxiliares e materiais principais

É aqui que os orçamentos mais se baralham. Há três coisas que aparecem misturadas e que precisa de ver em separado.

  • Mão de obra é o que o profissional faz com as mãos e com as ferramentas. Assentamento, montagem, demolição.
  • Materiais auxiliares são tudo o que desaparece dentro da parede ou debaixo do azulejo. Cimento-cola, betume de juntas, primário, impermeabilização, bandas, silicone, gesso cartonado, perfis, tubos, cabos, caixas.
  • Materiais principais são os que o cliente escolhe. Azulejo, mosaico, lavatório, sanita, banheira, resguardo de duche, torneiras, iluminação.

Os materiais principais são muitas vezes comprados pelo próprio cliente, para controlar o design e o preço. Os auxiliares normalmente ficam a cargo do profissional, porque ele sabe que cola e que impermeabilização precisa. Combine isto por escrito. Caso contrário, acontece o clássico: cada um acha que a cola é o outro que a compra.

Peça que, em cada artigo do orçamento, fique claro se inclui material ou só mão de obra. O mesmo artigo com e sem material são dois números completamente diferentes.

O que costuma faltar nos orçamentos

Um orçamento pode parecer barato até se perceber o que lá não está. Percorra esta lista e assinale, item a item, se o encontra no orçamento:

  • remoção e encaminhamento do entulho, incluindo o contentor,
  • tampas de visita às colunas montantes e às válvulas,
  • ensaio de pressão da canalização de água,
  • certificado ou relatório de verificação da instalação elétrica,
  • extrator e respetiva ligação,
  • silicone nos cantos e à volta das loiças,
  • perfis de canto e de remate do azulejo,
  • ajuste ou corte da porta depois de o pavimento subir,
  • regularização das paredes e do pavimento antes de assentar azulejo,
  • transporte do material e subida até ao andar,
  • limpeza no fim da obra.

Nada disto é exótico. Faz-se em praticamente todas as casas de banho. Se não estiver no orçamento, ou o profissional se esqueceu, ou vai aparecer mais tarde como «trabalhos a mais». Pergunte antes de assinar. Para outros pormenores, como a ventilação ou o silicone, encontra mais contexto na página sobre o preço da remodelação da casa de banho, com mão de obra e materiais.

Como comparar dois orçamentos para a casa de banho

Dois orçamentos, dois números, um parece melhor. Só que o que se compara é o conteúdo, não o total na última linha.

As mesmas quantidades

Veja quantos metros de azulejo conta um e quantos conta o outro. Se forem muito diferentes, provavelmente um deles mediu a olho. Aqui, as suas próprias medições servem de árbitro.

O mesmo âmbito

Os dois contam com a demolição? Com a parede falsa? Com canalizações novas ou só com a ligação às antigas? Às vezes, o orçamento mais barato tem simplesmente menos trabalho lá dentro.

Unidades de medida

Metros quadrados, metros lineares, unidades, conjuntos. Cuidado com os artigos do tipo «conjunto» ou «valor global». Não são maus, mas convém saber exatamente o que incluem. «Eletricidade, conjunto» tanto pode ser três tomadas como uma instalação nova completa, com verificação.

À hora ou por artigo

Um orçamento à hora é justo para trabalhos pequenos e imprevisíveis. Para uma casa de banho inteira, porém, é difícil de comparar, porque não se sabe quantas horas vão ser no fim. Um orçamento por artigos dá um enquadramento claro. Se receber um à hora e outro por artigos, peça ao primeiro pelo menos uma estimativa de horas para cada fase.

Como não se deixar enganar na escolha da empresa, e não só do preço, é o tema do artigo 9 dicas essenciais para contratar o empreiteiro certo.

Margem para surpresas em casas antigas

Uma casa de banho antiga é como uma caixa de presente de um remetente desconhecido. Até a abrir, não se sabe o que traz.

Depois de picar o azulejo, pode descobrir-se que o reboco só se aguenta por hábito. Que há um vazio debaixo do mosaico. Que a canalização antiga em ferro galvanizado está entupida de calcário, ou que a coluna montante está pior do que se gostaria. A instalação elétrica pode ser antiga, por vezes com fios de alumínio e sem condutor de terra. O pavimento pode não estar nivelado, nem de perto.

Nada disto o profissional vê na visita, porque não tem raio-X. Por isso, deixe no orçamento uma margem que não está destinada a nada em concreto. Quanto mais antiga a casa e quanto menos souber sobre obras anteriores, maior deve ser. Se não a usar, fica com folga para uma torneira melhor. Se a usar, não vai ter de andar a meio da obra a pensar onde arranjar dinheiro para a canalização nova.

Combine também com o profissional como se resolvem estas surpresas. O ideal é que lhas mostre, tire fotografias e, antes de avançar, lhe diga quanto vai custar a mais.

Como fazer o orçamento da casa de banho no NUMIQ

Com as medições feitas, o resto é montar as peças. No NUMIQ escolhe os artigos da tabela de preços de trabalhos de construção, por exemplo picagem de azulejo, assentamento de mosaico, ponto de água ou montagem de sanita. Em cada um, introduz a quantidade que mediu. Daí resulta um orçamento por artigos, onde vê a mão de obra, os materiais e os totais por especialidade.

Um orçamento assim serve-lhe duas vezes. Primeiro, como referência para saber com que valor contar. Depois, como modelo para comparar orçamentos, porque tem os mesmos artigos e as mesmas quantidades, a que junta os números dos profissionais. E ao profissional ajuda a preparar um orçamento claro, sem o fazer em cima do joelho.

Se quiser primeiro ver entre que valores andam normalmente as casas de banho e de que dependem, consulte a página sobre a remodelação da casa de banho na tabela de preços do NUMIQ. Depois, faça as contas à sua na aplicação, com os seus metros e as suas peças.

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